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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

cultivo sustentável de artêmia salina


A artêmia salina é um alimento ideal para peixes e camarões por ser um microcrustáceo sem carapaça rígida e rico em proteínas, vitaminas A e B, protovitamina A (evita o raquitismo), caroteno (intensifica a coloração dos peixes), fósforo, ferro, iodo, sódio e panzotenato de Cálcio. Como características principais, observamos que o seu corpo poderá adquirir colorido especial de acordo com o alimento ingerido, sendo seres filtradores (bombeiam a água do mar pra o seu organismo, de onde selecionam partículas convenientes para serem ingeridas como alimento)
A artemia Salina é o melhor alimento vivo para os peixes de pequeno porte. Serve tanto para peixes marinhos como para peixes de água doce.
A sua criação é economicamente viável quando se puder competir em qualidade e constância de produto uniforme durante o ano todo.
cultivo
elas podem ser cultivadas em aquários, bacias, caixas de água etc. eu uso água do mar em um tambor com capacidade para 60 litros, apos encher coloco 2 colheres de sopa de ureia alguns pedaços de coral morto para manter o ph alcalino e deixo no sol ate a água ficar bem verde em seguida coloco os náuplios de artêmia, as microalgas vão servi de alimento e produzem oxigênio.
para quem não tem acesso a água do mar uma boa técnica seria usar água de torneira desclorada e adicionar 3 colheres (sopa cheia) de sal para cada 1 litro de água.
REPRODUÇÃO: Num aquário, dentro de uma estufa, com a temperatura controlada por termostato, alimentada com micro algas, mesmo nos dias frios do inverno paulista consegue-se a reprodução da artêmia desde o ovo (cisto) até a fase adulta. Já no tanque externo, a reprodução é viável por viviparidade das artêmias adultas, bastante resistentes ás instabilidades do clima. Em épocas desfavoráveis (temperatura baixa, céu nublado) deve-se controlar a produção, aumentando o número de matrizes do que nos dias favoráveis.

PRODUTO: Num aquário, a melhor colheita se obtém se renovar o meio de cultura a cada semana uma parte.
Num tanque externo, calcula-se como vida útil da água salinizada para uma produção econômica como 6 meses e renova-se toda a água do tanque. As vezes pode ser menos ou até mais do que esse tempo, dependendo da deterioração da água. em meu cultivo renovo 50% a cada 6 meses(A água fica turva, densa demais). Muita chuva faz crescer algas inúteis que não servem para alimentação das artêmias.

ALIMENTAÇÃO: O melhor alimento para náuplios de artêmia seria a microalga (“tettaselmis chui”, “Nannochloris oculata’”). Em substituição, recorre-se ao fermento biológico (pequena porção e diluída em água). Quando pequena,a artêmia nada dentro d’água, e se alimenta com os sedimentos em suspensão. Quando adulta, ela se alimenta na superfície, com os alimentos que estejam boiando. As vezes beliscam as paredes do tanque e o fundo do mesmo em busca de algas que crescem nestes locais.
Servem de alimento leite de soja, lêvedo de cerveja, leite de soja, fermento biológico.

PREDADORES: As larvas de pernilongo são concorrentes da artêmia no consumo dos plânctons da sua alimentação. Há besourinhos d’água, e outros concorrentes como uma mosca, bem resistente á salinidade. Exceto esta mosca, todos estes inimigos naturais da artêmia são controlados com a maior dosagem do sal no meio de cultura.

As larvas de odonata (libélula) são os piores inimigos da artêmia. São predadores e, como são bem ligeiras e agéis, liquidam em pouco tempo as desajeitadas artêmias. Nascem em tanques que estão perdendo a salinidade pelas constantes chuvas do verão e, uma vez nascidas, não há salinidade suficiente e fácil para liquidá-las como acontece com as larvas de pernilongo.

PROTEÇÃO: Os tanque de criação podem ser protegidos, cobrindo-se os mesmos com redes de filó ou telas de nylon, ou plásticos impermeáveis.
Estes plásticos podem proteger também o tanque das águas da chuva que diminuem a salinidade e aumentam a poluição com algas inúteis que turvam a água.

Em aquários, nota-se a grande resistência de certas cepas de artêmia a água doce. Disto se conclui que a artêmia se adaptou a salinidade para melhor se defender dos seus inimigos predadores.
Os gastos com redes de proteção podem em parte, ser diminuídos com o emprego de pouca salinidade.

MICRO - ALGAS: As micro-algas selecionadas adaptam-se as águas salinizadas. Em tanques especiais podem ser cultivadas e empregadas no início de uma cultura de artêmia, na renovação de um tanque. Estas micro-algas concorrem com a propagação de outras algas que não sendo inteiramente consumidas pelas artêmias, deixam detritos poluentes no fundo do tanque.
A água salinizada não contém outro elemento a não ser cloreto de sódio, acrescido de pequena porção de adubo foliar.
A água marinha natural apesar de bem dispendiosa, não concorre com um aumento na produção das artêmias.
Meios de Cultura para algas.
Essa formulação pode ser obtida em farmácias de manipulação perante encomenda.
Esse meio de cultura é também ideal para cultivo de qualquer plâncton.

O meio f/2-Guillard deve ser preparado a partir das soluções descritas a seguir:

Soluções Estoques:
Solução estoque 1 - CuSO4.5H2O 0,1g (sulfato de cobre hidratado)
Solução estoque 2 - ZnSO4.7H2O 0,2 g (sulfato de zinco hidratado)
Solução estoque 3 - CoCl2.6H2O 0,1 g (cloreto de cobalto hexaidratado)
Solução estoque 4 - MnCl2.4H2O 1,8 g (Cloreto de manganês hidratado)

Para cada uma das soluções estoques os sais devem ser pesados e solubilizados separadamente em 100 ml de água destilada.

Solução de Metais:
- Na2EDTA 0,436 g (sal dissódico Na2H2Y)
- FeCl3 6H2O 0,315 g (Cloreto de Ferro Hexahidratado)
- Solução estoque 1 0,1 ml
- Solução estoque 2 0,1 ml
- Solução estoque 3 0,1 ml
- Solução estoque 4 0,1 ml
- H2O destilada q.s.p. 100 ml

Solução A: NaNO3
- NaNO3 7,5 g (nitrato de sódio)
- H2O destilada q.s.p. 100 ml

Solução B: NaH2PO4
- NaH2PO4.H2O 0,5 g (Fosfato de sódio monobásico monoidratado)
- H2O destilada q.s.p. 100 ml

Solução C: Na2SiO3
- Na2SiO3.9H2O 3,0 g (Meta silicato de sódio hidratado)
- H2O destilada q.s.p. 100 ml

Solução Vitaminas
- Tiamina 100 mg
- Biotina 0,5 mg
- Vitamina B12 0,5 mg
- H2O destilada q.s.p. 100 ml

As soluções A, B, C e de metais devem ser esterelizadas separadamente.
O meio enriquecido será obtido com a adição de 1 ml de cada solução (A, B, C e metais) em 1000 ml de água destilada. Por último será acrescido 0,5 ml da solução de vitaminas previamente filtradas em filtros estéreis de 0,2 m.

A adição de 0,75g/L de MEL gera fonte de carbono. O pH do meio f/2 é 8,2 1.

A faixa ótima de pH para o crescimento da microalga Spirulina é de 9,5 a 10,5 (PELIZER et al., 2003; RICHMOND & GROBBELAAR, 1986).
Fora desse intervalo os cultivos podem ser suscetíveis í contaminação por outras microalgas (BELAY, 1997).
fonte: deste meio 

                                          minha cultura de artêmias salinas 
                                                           macho a esquerda e fêmea com cisto a direita


                                                   
                                                    macho e fêmea cruzando


                                          cultivo de microalgas para artêmias 


terça-feira, 26 de junho de 2012

cultivo de copépodes

introdução 

Os copépodes (sub-classe Copepoda) são um grupo de crustáceos muito importantes na composição da fauna de invertebrados aquáticos. Há cerca de 12000 espécies conhecidas; dessas, 7500 são de vida livre, sendo 1200 próprias de águas continentais.
Certos copépodos de águas continentais podem formar agregações com densidades superiores a 11000 indivíduos por litro. Os copépodos podem parasitarpeixes e invertebrados aquáticos.
A classe Copepoda é a maior e mais diversificada dos crustáceos. Além disso, é considerado o grupo de organismos pluricelulares mais abundante no planeta, superando em número de indivíduos até os insetos. Esses microcrustáceos habitam os diversos ambientes aquáticos, incluindo terras úmidas. Os crustáceos de vida livre podem ser planctônicos, bentônicos, viver em águas subterrâneas, entre outros ambientes. Os copépodos de águas continentais não são tão diversos como os de água salgada, sendo que o plâncton é composto principalmente por Calanoida e Cyclopoida.
A maioria dos copépodos possuem de 1 a 5 mm de comprimento. Seu corpo é composto de cabeçatórax e abdômen, sendo sua extremidade anterior arredondada ou pontiaguda. A cabeça está fundida com o primeiro e às vezes o segundo segmento torácico. Não possuem olhos compostos, porém há um olho naupliano mediano típico na maioria. As primeiras antenas são unirremes e longas. O tórax possui seis segmentos. O primeiro par de apêndices é modificado, formando maxilípedes para alimentação. Os outros cinco pares de apêndices são semelhantes e simetricamente birremes. Entretanto, em algumas espécies, os apêndices do último par, conhecido como P5, podem vir modificados para a cópula, assimétricos ou até mesmo unirremes. O abdômen possui cinco segmentos que são mais estreitos que o do tórax e não possui apêndices, exceto um par de ramos caudais no télson.
Esta espécie microscópica é a mais rápida do planeta, conseguindo percorrer por segundo uma distância equivalente a 500 vezes o seu comprimento, atingindo os 11 km/h. Comparando com a chita, que é o animal terrestre mais veloz, esta teria de ser capaz de atingir 8000 km/h para ser tão rápida como o copépode. O professor Thomas Kiørboe, do Instituto Nacional de Recursos Aquáticos na Universidade da Dinamarca, fez uma filmagem para determinar e mostrar a velocidade do salto de escape do animal ao se sentir ameaçado, sendo esta meio metro por segundo.
Além de mais rápidos, são considerados os animais mais fortes do mundo, sendo de 10 a 30 vezes mais fortes do que qualquer outro animal, considerando proporções de tamanho.
Os cocépodes possuem dois sistemas motrizes, formados por 4 a 5 pares de patas para nadar e saltar, além de um sistema de extremidades que vibra para ajudar na continuidade do movimento enquanto nada. Sua forma física é otimizada para altas velocidades e seus diversos sistemas de movimento adicionados a extremidade vibratória faz com que o animal, além de forte e veloz, não sinta fadiga.
ciclo de vida
os copépodes apresentam ciclo de vida com reprodução sexuada obrigatória, onde os ovos fertilizados eclodem em estágios larvais de vida livre, os náuplios. o cruzamento ocorre apos a maturação sexual, que normalmente se da primeiro nos machos. os machos são comumente menores e menos numerosos do que as fêmeas e formam espermatóforos que são transferidos para os receptáculos seminais das fêmeas por meio de apendices torácicos, segurando as fêmeas com o auxilio de antenas e patas modificadas. em geral um numero variável de ovos e depositado no interior de um ou dois ovissacos ou ficam presos ao segmento genital feminino, mas podem também em alguns casos, ser eliminados diretamente na água. os ovos eclodem em larvas de vida livre, os náuplios, e durante o seu desenvolvimento, passam por seis estágios de náuplio e por 5 estágios de copepoditos ate chegarem ao estagio adulto. quando cessam as mudas. 
calanoida


cyclopoida



harpacticoida




náuplio de copépode

VANTAGENS
-TAMANHO REDUZIDO DOS NÁUPLIOS E COPEPODITOS POR MUITO TEMPO
- MOVIMENTO RÁPIDO DE ZIG-ZAG: Estímulo visual para as larvas de peixes
- PRESENÇA DE ANTIOXIDANTES NATURAIS
- ELEVADO VALOR NUTRICIONAL (ácidos graxos poliinsaturados, níveis protéicos
altos, conteúdo energético
NÃO NECESSITA DAS TÉCNICAS DE ENRIQUECIMENTO

cultivo
TÉCNICAS DE CULTIVO SEMELHANTES ÀQUELAS APLICADAS
PARA O CULTIVO DE ROTÍIFEROS
Diferença - Densidade 0,5 a 10 copépodos/ml
TEMPERATURA 25 – 30 °C (Países tropicais)
Temperaturas baixas: Reduz a taxa de filtração( alimentação), afeta o tamanho do
corpo e reduz a população Durante a Noite - manter aquecedores de imersão

SALINIDADE 25 – 35 ppt Depende da procedência da cepa
pH 7,5 – 8,5 – É preciso manter uma estabilidade deste fator
AMÔNIA São susceptíveis a altas concentrações de amônia.
ILUMINAÇÃO Difusa:  A exposição a luz solar causa um aumento na taxa de respiração. Evitar
exposição direta aos raios solares. Utilizar luz artificial ou natural difusa. Evitar cultivo em reservatórios transparentes para evitar luz solar direta.
AERAÇÃO: Fraca, Ajuda no melhor desempenho do cultivo e favorece o processo de muda, mas n deve ser muito forte para não perturbar a atividade de cópula entre os adultos. Tanques não aerados alcançam as concentrações máximas vários dias depois que os tanques aerados. Aeração deve ser suficiente para manter o alimento em suspensão. Quando o alimento fica sedimentado no fundo pode ser prejudicial para os ovos no momento de eclosão dos náuplios.
manutenção do cultivo:
MEIO DE CULTIVO Renovação do meio de cultivo - mantendo reduzida a quantidade de metabólitos que podem ser ingeridos pelos organismos, podendo causar sua morte ou reduzir a vitalidade. Desta maneira, bons resultados são obtidos ao cultivar copépodos com técnicas de cultivo semi-contínuos, uma vez que ocorre renovação diária da água de cultivo.
ALIMENTAÇÃO
Baseada em microalgas é mais apropriado
• Tamanho satisfatório
• Composição química adequada, com presença de micronutrientes e vitaminas
• Utilização de mais de um grupo de microalgas (diatomáceas, clorofíceas e flagelados),
os quais apresentam diferentes composições químicas, complementando os
requerimentos nutricionais nos diversos estádios de vida dos copépodos e
conseqüentemente melhorando as taxas de crescimento, produção de ovos e
tempo de sobrevivência, especialmente nos estádios iniciais.
CONTROLE DOS PARÂMETROS FÍSICOS E QUÍMICOS
Temperatura, pH, Amônia, Verificar aeração, Salinidade.
RESUMO
O cultivo de copépodos segue as técnicas aplicadas para rotíferos, com
atenção para algumas especificidades:
•Evitar bruscas variações térmicas e baixas temperaturas,
•Administrar o alimento frequentemente utilizando várias espécies de
microalgas,
•Aerar a água de cultivo suavemente para não prejudicar o acasalamento,
•Dar preferência ao uso de copépodos pelágicos por ser de fácil captura
•Realizar o cultivo em sistemas semi-contínuos na sombra,
•Ajustando a densidade de alimento diariamente,
•Trocando os cultivos para tanques limpos com freqüência e
•Variando com técnicas de mono e policultivo (geralmente com rotíferos).






Meios de Cultura para algas

Essa formulação pode ser obtida em farmacias de manipulação perante encomenda.


Esse meio de cultura é tambem ideal para cultivo de qualquer plancton.

O meio f/2-Guillard deve ser preparado a partir das soluções descritas a seguir:

Soluções Estoques:
Solução estoque 1 - CuSO4.5H2O 0,1g (sulfato de cobre hidratado)
Solução estoque 2 - ZnSO4.7H2O 0,2 g (sulfato de zinco hidratado)
Solução estoque 3 - CoCl2.6H2O 0,1 g (cloreto de cobalto hexaidratado)
Solução estoque 4 - MnCl2.4H2O 1,8 g (Cloreto de manganês hidratado)

Para cada uma das soluções estoques os sais devem ser pesados e solubilizados separadamente em 100 ml de água destilada.

Solução de Metais:
- Na2EDTA 0,436 g (sal dissódico Na2H2Y)
- FeCl3 6H2O 0,315 g (Cloreto de Ferro Hexahidratado)
- Solução estoque 1 0,1 ml
- Solução estoque 2 0,1 ml
- Solução estoque 3 0,1 ml
- Solução estoque 4 0,1 ml
- H2O destilada q.s.p. 100 ml

Solução A: NaNO3
- NaNO3 7,5 g (nitrato de sódio)
- H2O destilada q.s.p. 100 ml

Solução B: NaH2PO4
- NaH2PO4.H2O 0,5 g (Fosfato de sódio monobásico monoidratado)
- H2O destilada q.s.p. 100 ml

Solução C: Na2SiO3
- Na2SiO3.9H2O 3,0 g (Meta silicato de sódio hidratado)
- H2O destilada q.s.p. 100 ml

Solução Vitaminas
- Tiamina 100 mg
- Biotina 0,5 mg
- Vitamina B12 0,5 mg
- H2O destilada q.s.p. 100 ml

As soluções A, B, C e de metais devem ser esterelizadas separadamente.
O meio enriquecido será obtido com a adição de 1 ml de cada solução (A, B, C e metais) em 1000 ml de água destilada. Por último será acrescido 0,5 ml da solução de vitaminas previamente filtradas em filtros estéreis de 0,2 m.

A adição de 0,75g/L de MEL gera fonte de carbono. O pH do meio f/2 é 8,2 1.

A faixa ótima de pH para o crescimento da microalga Spirulina é de 9,5 a 10,5 (PELIZER et al., 2003; RICHMOND & GROBBELAAR, 1986).
Fora desse intervalo os cultivos podem ser suscetíveis í contaminação por outras microalgas (BELAY, 1997).
Fonte: do meio de cultivo brasil reef
autor do meio 








CULTIVO DE ROTÍFERO


Por mais de 100 anos foram considerados como uma praga para a aqüicultura, no Japão. No verão ocorriam “blooms” de rotíferos, fenômeno denominado mizukawari, que deplecionavam os estoques de microalgas e diminuíam muito o teor de O2 dos tanques, gerando problemas para os produtores de enguias.
Somente na década de 60 que ITO verificou a possibilidade de utilizar esses organismos para a alimentação de larvas de peixes marinhos, transformando o “problema” em uma das mais importantes descobertas, e contribuindo sobremaneira para o início da produção industrial de peixes,  pela possibilidade de aumento da oferta de alevinos.
 Espécies mais cultivadas
·         Brachionus plicatilis (água salobra) – tipo L
·         Brachionus rotundiformis (água salobra) – tipo S
·         Brachionus calyciflorus (água doce)

Vantagens
F Tamanho pequeno (tipo L 130-340mm, e tipo S 100 - 210mm)
F Ciclo de vida curto
F Movimentação lenta
F São cosmopolitas e apresentam resistência às variações das condições ambientais
F Valor nutritivo adequado e com possibilidade de atuar como bio-cápsulas
F Possibilidade de utilização para larvas de peixes marinhos e de água doce
F Taxa de fertilidade alta (em cond. ótimas, em 24 horas a população pode dobrar)
F Reprodução assexuadamente (partenogênese) ou sexualmente (com formação de ovos de resistência)
F Alta digestibilidade
F Capacidade de sobreviver em densos agregados (média 300 - 500/mL)
F Facilidade de obtenção e de cultivo em larga escala
F Possibilidade de cultivo em água salinizada com NaCl
F Hábito não predativo
F Não produz toxinas

 Exigências

­  Temperatura (20°-30°C)
­  Salinidade (10 a 25‰)
­  Amônia (NH3 é mais perigosa e não deve exceder  0,5 - 1,0 mg/L)
­  pH (próximo a 7,5)
­  Oxigênio dissolvido (3 a 8 ppm, porém suportam concentrações de até 2 ppm)
­  Aeração fraca e constante
­  Cuidados com contaminações por bactérias, ciliados e vírus.


Alimentação – filtradores
v  Microalgas (10 – 20 x 106 células/mL)
v  Leveduras (Saccharomyces cerevisiae, Candida sp, etc.)
v  Fungos
v  Bactérias
v  Dietas artificiais

Tipos de cultivo

a  Colheita total (“batch cultivation”)
a  Cultivo semi-contínuo

Cultivo de rotíferos

N  Manutenção dos inóculos (0,5 -1,0 L, salinidade 18-20‰, temperatura 25-28°C, fotoperíodo de 10-12 horas/luz, alimentação com levedura 0,5g/106 rotíferos – 2 vezes ao dia, renovação semanal do meio de cultivo);
N  Cultivos intermediários (5 a 150 L, salinidade 10 a 20‰, aeração fraca e constante, alimentação com levedura 1,0g/106 rotíferos – 3 vezes ao dia, renovação e aumento periódico do meio de cultivo);
N  Cultivos em larga escala (500 a 10.000 L, vários pontos de aeração)

Obs. Adição de microalgas melhora a qualidade da água dos cultivos e dos próprios rotíferos.
          Volume do inóculo é importante para garantir rapidez no desenvolvimento da população de rotíferos. 
ETAPA 1 – Inoculação do cultivo
1. Preparo do tanque
- Instalar a aeração
- Encher o tanque com o meio de cultivo, clorar e neutralizar
2. Inoculação
- Inocular 200 rotiferos/ml
3. Alimentação
- Alimentação: 1g de levedura de pão para cada 1 milhão de rotíferos + Microalgas
ETAPA 2 – Manutenção do Cultivo (1 – 6 dia)
- Estimar a quantidade de rotíferos no tanque: contagem de várias amostras
de 100μl
- Calcular a quantidade de alimento para cada dia
- Preparação alimento
- Alimentar 4 a 6x/dia
ETAPA 3 – Colheita dos Rotíferos (4 ou 6 dias)
-Se divide a colheita em duas partes:
-20% se inocula um novo cultivo
-80% Utiliza para alimentar as larvas de peixes

O cultivo dos rotíferos é realizado utilizando como alimento a levedura de padeiro, e esta
é pobre do ponto de vista nutritivo, particularmente em ácidos gordos poli-insaturados
da cadeia n-3, indispensáveis ao desenvolvimento das primeiras fases larvais de muitos
peixes marinhos.
Bioencapsulação
Torna-se, portanto, necessário o aperfeiçoamento das técnicas de cultivo secundário
Fornecimento dos ROTÍFEROS às larvas de peixes
(bioencapsulação) que permitem ultrapassar estas deficiências, através do enriquecimento
dos rotíferos com produtos de elevado teor em compostos considerados essenciais,
durante um período geralmente inferior a 24h e imediatamente antes de serem
fornecidos como alimento para as larvas.
Após a bioencapsulação são retirados através de um filtro de 55μm ou 80μm. Dentro do
filtro são abundantemente lavados com água salgada para retirar os restos do alimento,
bactérias e produtos do metabolismo. Após a lavagem são concentrados, contados e
fornecidos aos tanques para alimento das larvas.

                                                  Brachionus calyciflorus
 
brachionus plicatilis



brachionus rotundiformis



















domingo, 16 de outubro de 2011

branchonetas



A branchoneta apresenta sexos separados e de fácil identificação. Seu corpo é cilíndrico, variando de tonalidade verde claro a branco, para os exemplares machos e um pouco transparente, para as fêmeas, cujas caudas são avermelhadas. As fêmeas são também, facilmente identificadas, pelo ovissaco com ovos que carregam próximo à cauda (fica dirigido para cima à 45° do corpo) e os machos apresentam apêndice vertical, o qual é fundamental para a identificação da espécie (tem a forma de artêmia salina).
Em condições ideais, as branchonetas crescem mais de 1 mm ao dia, depois do 3º dia de vida. Este animal alcança dimensões de até 30 mm, quando adultos (por volta dos 50 dias de vida), podendo até ultrapassar, se o ambiente estiver bastante favorável. Em termos médios, os adultos situam-se em torno de 20 mm.
Sendo a branchoneta essencialmente filtradora, num curto período de tempo, deixa um tanque rico em plâncton, completamente "limpo".
Com referência à ingestão de zooplâncton, observou-se, tanto nos viveiros, como em aquários, que a branchoneta não lhe dá maior preferência.
A espécie possui ainda uma forte tendência à agregação, formando conglomerados, nadando em todas as direções. Os indivíduos nadam sobre o próprio dorso com os filopódios para cima, direcionados à luz ou claridade do ambiente em que se encontram (telotaxia ventral).
Ao mesmo tempo em que nada, a branchoneta vai se alimentando do material em suspensão, filtrando com seus apêndices: bactérias, algas, protozoários, metazoários e restos de matéria orgânica. Todavia, logo fica caraterizado sua tendência fitoplanctônica, uma vez que o zooplâncton praticamente não é consumido. Portanto seu hábito alimentar primitivo seria predador e, a alimentação filtradora uma especialização. Uma predação mais intensa somente é exercida em anostracos que alcançam grandes dimensões como Branchinecta giga e Branchinecta ferox.
Com uma semana de vida, já é possível encontrar formas jovens de branchoneta com ovários em formação. Aproximadamente oito dias após a eclosão, elas já são adultas e começam a liberar os cistos, que têm cor escura e forma oitavada. Uma análise preliminar revelou que, por postura, cada fêmea libera de 100 a 230 cistos.
O ciclo de vida das branchonetas é de aproximadamente 90 dias, período correspondente ao de alevinagem de várias espécies de peixes carnívoros.

Trata-se de uma espécie prolífica, reproduzindo continuamente, durante todo o ano, com exceto no período de inverno, quando as temperaturas caem. Constatou-se uma proporção sexual predominante de fêmeas da ordem de 60%.
As fêmeas realizam posturas diárias, estimuladas pelo estresse da superpopulação e/ou iminência de estiagem. Seus cistos, por serem mais pesados que a água, vão para o fundo, onde se depositam, misturados aos resíduos, e ai ficam.
Os cistos só nascerão se esse material do fundo, o substrato, for secado, e posteriormente hidratado.
Se for mantido sempre com água não haverá nascimentos dos cistos (precisam passar obrigatoriamente por um período de diapausa seca). As vezes, até pode acontecer o nascimento de algum cisto que tenha ficado em região que por evaporação, tenha secado.
cistosOs cistos da branchoneta, a exemplo dos demais Anostracos são resistentes e asseguram a sobrevivência durante condições ambientais extremamente adversas como ressecação e congelamento.
Após a completa drenagem dos viveiros eles permanecem no fundo, mesmo expostos ao sol até por várias semanas. Uma vez o viveiro sendo cheio, eles eclodem rapidamente, ocorre um crescimento individual e populacional rápido e, aos quatro dias de vida, as formas jovens em tamanhos apropriados para utilização na dieta de alevinos já podem ser colhidos. Aos oito dias de vida as formas adultas já podem ser colhidas com redes, caso se queira fazer produção em laboratório ou usá-las na alimentação de peixes.
Prepare um recipiente pequeno, de 500 ml, no máximo, transparente e bem limpo para fazer a semeadura dos cistos.
É importante que você faça desta forma, para conseguir enxergar os náuplios que nascerem e não acabar jogando tudo fora, pensando que os cistos não vingaram.
Coloque 200 ml de água limpa e isenta de cloro (previamente fervida, resfriada e agitada para repor o oxigenação).
Providencie uma cobertura de tela para evitar que mosquitos ou pernilongos, consigam chegar até a água para efetuar a postura de ovos.
Acomode o recipiente, de preferência, um local ao sol. Mas cuidado, pois pode haver excesso de aquecimento.
Hidrate os cistos, semeando o substrato nesta água. Apenas uma pequena parte dele, para evitar perder todos os cistos em uma semeadura errada. Depois que você dominar o manejo, arrisque-se semeando lotes maiores de substrato.
Para melhor aproveitamento dos cistos adquiridos, de tempos em tempos, vá semeando novos lotes, para dar continuidade a produção. Quando acabar os cistos adquiridos, você poderá se valer dos cistos produzidos na sua própria cultura.
Não requer aeração forçada (pedra porosa), mas se for aplicada, deve ter um borbulhamento bastante suave.
Se a temperatura da água estiver na faixa de 27-30 °C e o pH variando entre 6.5-7.2 (parâmetros referênciais), as branchonetas começam a nascer em 24 horas depois de hidratadas, mas os nascimentos continuam por vários dias. Isto é um artifício, porque na natureza, se nascessem todas de uma vez, após uma pequena chuva que não fosse suficiente para manter a poça cheia por muito tempo, elas acabariam morrendo, sem chegar a se reproduzir, ao passo que nascendo aos poucos, elas garantem a perpetuação da espécie. De início apresentam cor preta e com forte semelhança às artêmias salinas.
Atenção!: O fato dos náuplios de branchonetas nascerem, não significa que você obteve sucesso total. É comum, de repente, ocorrer a morte de todas sem motivos aparentes, em qualquer fase da vida, portanto sempre semeie substrato com cistos aos poucos e acompanhe o desenvolvimento.
Olhando o pote contra a luz, ficará fácil visualizar os náuplios das branchonetas. Elas podem ficar por 3 dias neste pote, sem alimentação. Após este prazo, devem ser transferidas para um tanque de crescimento e engorda.
Preparando um tanque de crescimento e engordaPreparar uma caixa baixa e larga (com mais ou menos 15 litros de água limpa e isenta de cloro (previamente fervida, resfriada e agitada para repor o oxigenação).
Coloque no fundo do tanque uma camada fina de areia de rio (2 cm), bem lavada e preferencialmente fervida e resfriada. Este será o substrato da sua cultura, onde serão feitas as posturas de ovos.
Providencie uma cobertura de tela para evitar que mosquitos ou pernilongos, consigam chegar até a água para efetuar a postura de ovos.
Acomode-a, de preferência, um local ao sol. Mas cuidado, pois pode haver excesso de aquecimento.
Este tanque, se possível, deve ficar num lugar alto, para favorecer as as sifonagens da água para coleta parcial ou total de substrato, contendo os cistos.
Não requer aeração forçada (pedra porosa), mas se for aplicada, deve ter um borbulhamento bastante suave.
Geralmente você recebe uma pequena porção de substrato (lama de fundo do tanque de cultivo), contendo, em meio aos resíduos, os cistos. Como os cistos são pesados, vão ao fundo, dificultando sua separação.
Transferência p/ o tanque de crescimento e engorda
Você deve seguir os procedimentos de praxe para adaptar estes náuplios de branchonetas à água deste tanque de crescimento e engorda. Adaptar os náuplios à temperatura e pH da água para onde eles serão transferidos:
Coloque este pote boiando no tanque de crescimento e engorda, por 30-40 minutos, para a equalização da temperatura da água.
Em seguida, vá adicionando água do tanque de crescimento e engorda, dentro do pote, em pequenas doses, até dobrar o volume de água original. Isto deve acontecer de forma muito lenta, para que os náuplios se adaptem com segurança ao pH da água do tanque de crescimento e engorda. Não tenha pressa, se possível aplique 6-8 horas neste processo.
Solte os náuplios no tanque de crescimento e engorda.
Alimentando as branchonetas:
Elas podem ser alimentadas com algas verdes1 (sem predadores2), spirulina, infusórios, fermento biológico (de padaria), levedura de cerveja, ração fininha para peixes, leite em pó, farinha de trigo ou qualquer alimento que fique em suspensão na água.
Prefira a alga verde. Alimentos como: leite em pó, levedos, farinha de trigo podem ser utilizados com muita cautela. Comece “testando” quantidades bem reduzidas, até encontrar o “ponto ideal”.
As Branchonetas se alimentam muito, “filtrando” a água com grande rapidez, deixando tanques infestados de algas verdes (não filamentosas), rapidamente translúcida (24 a 72 horas normalmente, dependendo do volume de água e da quantidade de indivíduos introduzidos). Para tanto, mantenham sempre culturas de algas verdes de “reserva”.
Lembre-se que o excesso de alimento mata mais que a falta (igual aos peixes) principalmente se usar alimentos industrializados (água verde pode ser a vontade, e colocada sempre que a água perder a turbidez, mesmo que parcialmente).
coleta do cisto
Você pode deixar sua cultura produzindo cistos, até a quase extinção dos adultos (vários meses), ou então dependendo da pressa em obter cistos, pode-se, após a maturidade sexual dos indivíduos, transferí-los para outra caixa as branchonetas adultas (isto não é aconselhável, porque na fase adulta, elas sentem as mudanças no padrão da água, podendo até morrer). Daí então, secar o substrato. Os cistos podem ser estocados à temperatura ambiente, mas sem umidade, por muito tempo.
Atenção: A secagem em época de chuvas é bem mais problemática, devido a alta umidade do ar, e ai pode ser usado o recurso de um ventilador.
Você pode optar por esperar todos os adultos morrerem na caixa de desenvolvimento e engorda, pela idade, e só então efetuar a coleta do substrato, aspirando ou deixando evaporar o excesso da água, deixando secar o sedimento.
Outra opção é, de tempos em tempos, coletar por aspiração os resíduos do fundo, filtrando em filtro descartável de coador de café e colocando para secar.
Este processo tem o inconveniente de se perder muitos cistos que ficam nas entranhas do filtro, mas pode ser semeado com o papel do filtro junto.
Você também pode deixar a água e o material coletado descansando para sedimentar em um recipiente alto e estreito (garrafa pet cortada), e depois de sedimentado, aspirar de novo o excesso de água, para deixar secar por evaporação, o substrato.
oferecendo ao betta
Aos quatro dias de vida, já é possível coletar formas jovens em tamanhos apropriados para utilização na dieta de alevinos. Use puçá de filó ou organza, com trama pequena.
Aos oito dias de vida, já é possível coletar formas adultas com puçá de filó ou organza com trama média, para alimentação de peixes juvenis.
Aos vinte dias, quando você perceber que tem um bom número de branchonetas adultas, fazendo posturas diárias no seu substrato, há algum tempo, é chegada a hora de começar a colocá-las na cadeia alimentar dos seus peixes adultos. Use puçá de filó ou organza, com trama grande.
Ofereça aos peixes em quantidades compatíveis ao tamanho de sua voracidade, mas sem exageros, para não distender demais o abdome dos seus peixes.
É evidente que se você precisa de quantidades grandes de bio-massa para alimentar diariamente, todos os peixes da sua estufa, você vai precisar montar vários tanques de crescimento e engorda de branchonetas e talvez pensar em mantê-las em uma ou mais piscinas infantis, por exemplo, aumentando consideravelmente a escala de produção.
Uma vez dominada a técnica e geração local e abundante de cistos, seus limites se ampliam consideravelmente.

Zooplâncton

Fitoplâncton
Em biologia marinha e limnologia chama-se fitoplâncton ao conjunto dos organismos aquáticos microscópicos que têm capacidade fotossintética e que vivem dispersos flutuando na coluna de água[1].
Fazem parte deste grupo organismos tradicionalmente considerados algas e estudados como tal pela botânica, mais especificamente pela ficologia. Contudo, dentre estas, há um grupo de grande importância sanitária e de saúde pública, que é também classificado como bactéria, as cianofíceas ou "algas azuis". A divergência de autores quanto a classificação dos organismos pertencentes a este grupo deve-se ao fato de possuírem características de células vegetais (presença de clorofila em cloroplastos e parede celular com celulose) e de bactérias (material nuclear disperso no citoplasma). Hoje as algas azuis ou cianobactérias, nome atualmente mais empregado, são limitadas pelas legislações ambientais para águas potáveis, devido ao fato de que algumas cepas produzem toxinas (cianotoxinas) que podem ser letais para os mamíferos.
Outros organismos pertencentes ao fitoplâncton também são classificados em vários clades dos Protista, como alguns flagelados e ciliados com capacidade de realizar a fotossíntese, como os organismos da classe Euglenophyceae. Vários gêneros, como Euglena spp. são fotossintetizantes facultativos, isto é, na ausência de luz podem sobreviver como um ser heterotrófico.

Em águas correntes (rios e ribeirões) o grupo mais importante, pela sua abundância e diversidade, é o das diatomáceas, organismos microscópicos com pigmentos amarelo-dourados e carapaça externa de sílica, que protege as células da agressão mecânica causada pela correnteza. Por outro lado, em lagos e represas as algas da classe Chlorophyceae são mais diversas e abundantes. Possuem estruturas que favorecem a flutuação, que no entanto são frágeis. Neste grupo estão algas de grande beleza.
Apesar de normalmente se considerar o plâncton como constituído de organismos microscópicos, há algumas algas castanhas, como certas espécies de sargasso, de grandes dimensões, que podem viver livremente no meio do oceano sendo, portanto, igualmente parte do fitoplâncton.
zooplâncton
O nome zooplâncton deriva do grego zoon (animal) e planktos (a deriva), logo, o plâncton é formado por organismos que vivem dispersos na coluna d’água, com meios de locomoção limitados. Já o termo zooplâncton se refere à parcela heterotrófica de organismos do plâncton. Entretanto, apesar de muitas vezes definidos como organismos de pouca mobilidade, diversos organismos do zooplâncton, como microcrustáceos, podem se mover extensivamente. Sendo assim, estes organismos possuem uma heterogeneidade tanto espacial quanto temporal em função das condições do ambiente, e não são aleatoriamente distribuídos como poderia se pensar devido ao significado do termo plâncton.

O zooplâncton é constituído de muitos tipos de organismos, grande parte destes possui ciclo de vida curto, havendo uma resposta rápida em relação a mudanças ocorridas no ambiente, como por exemplo, mudanças climáticas (temperatura, vento), concentração de nutrientes, pH, entre outros fatores. Assim, a composição de espécie do zooplâncton e a abundância destas podem ser alteradas em função de variações no meio, podendo ser de grande utilidade como indicador biológico para avaliação da qualidade da água, mostrando, por exemplo, variações na comunidade com relação ao grau de eutrofização do meio.

Estas variações espaciais podem ocorrer também por questões bióticas como a competição ou a predação. É comum em diversos grupos de organismos, por exemplo, a realização de migrações verticais, sendo este provavelmente, embora não totalmente esclarecido, um mecanismo para evitar predação. Mas também podem aproveitar correntes para se deslocarem.

A importância do zooplâncton reside principalmente em seu papel de condutor do fluxo de energia, dos produtores primários para os consumidores de níveis tróficos superiores, sendo assim um importante grupo responsável pela produtividade secundária e também fundamental no transporte e regeneração de nutrientes pelo seu elevado metabolismo.

Pela sua importância na cadeia trófica pode-se notar que o zooplâncton representa uma fonte alimentar essencial e por isso é utilizado no cultivo e produção de alimentos para o homem como peixes e crustáceos. Algumas vantagens de se utilizar esses organismos na piscicultura são: o curto ciclo de vida de muitos organismos como os cladóceros e os rotíferos, o alto valor nutritivo e a fácil captura por peixes um pouco mais desenvolvidos e no caso de peixes pequenos, os rotíferos tem tamanho ideal. Além disso, geram um efeito menos tóxico e podem ser cultivados em larga escala com fácil estocagem.

Os organismos do zooplâncton podem passar apenas uma parte de seu ciclo de vida no plâncton sendo chamados de meroplâncton ou passar todo seu ciclo de vida, sendo chamados de holoplâncton. Podem também habitar os mais diversificados ambientes marinhos (haliplâncton) ou de água doce (limnoplâncton).

O zooplâncton marinho é formado por muitos filos de invertebrados pois se não estiverem presentes por toda a vida, estão presentes em alguma fase larval. Já o zooplâncton de água doce não é formado por tantos tipos de invertebrados, mas também é diverso, sendo que os principais grupos presentes são os protozoários, os rotíferos e os microcrustáceos (Copepoda e Cladocera), mas também ocorrem diversas larvas de insetos e com menos freqüência vermes (turbelários e alguns trematódeos), cnidários e larvas de moluscos. Outro componente também é o ictioplâncton formado por alevinos e ovos de peixes.
Protozoa

Os protozoários são organismos unicelulares eucariontes, com tamanho que varia cerca de 3 μm a 1 cm. Possuem grande diversidade morfológica e fisiológica, o que faz com que estes se adaptem a diversos ambientes. Tais organismos podem ser de vida livre, parasitas e mutualistas ou comensais em plantas e animais.

Apesar de muitas vezes ter se considerado que a maior parte da biomassa do zooplâncton é composta por rotíferos e crustáceos, os protozoários podem exceder ou igualar a biomassa desses grupos. Tal desconhecimento se deve a dificuldades metodológicas com a coleta e identificação dos organismos, pois estes precisam de uma metodologia especial para que sejam efetivamente coletados e adequadamente conservados. Assim, devido a sua grande importância no ambiente, o grupo deve ser mais bem estudado.

Protozoários podem apresentar cílios, flagelos ou pseudópodes que são estruturas bastante importantes para a locomoção e alimentação. Seus hábitos alimentares são bem diversificados, sendo bacteriófagos, detritívoros, herbívoros e carnívoros (inclusive canibais). Quanto à reprodução, estes podem se reproduzir assexuadamente por fissão binária ou sexuadamente por conjugação. Muitas espécies podem produzir cistos de resistência quando as condições do ambiente se tornam desfavoráveis.

Os principais grupos de protozoários encontrados no plâncton pertencem aos filos Ciliophora e Sarcomastigophora que são na maioria de vida livre e incluem assim ciliados, flagelados e sarcodinas.

São importantes na transferência de energia na cadeia trófica, se alimentando de fitoplâncton e bactérias e servindo de alimento para os outros organismos do zooplâncton como rotíferos e microcrustáceos. Possuem também importante papel no consumo de bactérias, reduzido assim seu número em ambientes ricos em matéria orgânica, e são muito eficientes no que diz respeito à reciclagem de fósforo e outros nutrientes essenciais. Além disso, são importantes em processos de autopurificação em sistemas de tratamento de águas residuárias e indicadores da qualidade da água.
Rotifera
Keratella cochlearis                             Brachionus calyciflorus



Os Rotifera eram antigamente incluídos como uma classe no filo Asquelminthes, atualmente o mais aceito é que esse filo se desmembrou, sendo assim, Rotifera, um filo a parte.

Os organismos deste filo são muito diversificados em sua forma e estruturas. A maioria é livre natante, mas também há formas sésseis e alguns parasitas. Assim, os rotíferos habitam os mais variados corpos de água, sendo a maioria de água doce.

Na parte anterior do corpo está localizada a coroa ciliada (corona) que atua na alimentação e natação, é ela a principal característica dos rotíferos que os distingue dos outros metazoários e é também essa estrutura, a responsável pelo nome do grupo, pois o movimento dos seus cílios parece com uma roda rodando rapidamente.

Os rotíferos são conhecidos como os menores metazoários, tendo de 40 a 2000 μm. Podem se alimentar de algas, detritos, bactérias, podendo assim ser filtradores, e também predadores (de protozoários entre outros organismos), ou até parasitas.

Possuem grande sucesso ecológico graças às suas adaptações reprodutivas. Assim, como ocorre com os protozoários, eles possuem grande vantagem em relação aos outros grupos do zooplâncton por terem um curto tempo de geração e sua reprodução ser principalmente partenogenética, sendo assim organismos oportunistas.

Assim, os machos em Rotifera ou são ausentes ou podem ser produzidos nos organismos da classe Monogononta quando as condições são desfavoráveis. Estes são menores que as fêmeas e de vida curta, são sexualmente maduros desde o nascimento, não possuindo um período de crescimento e desenvolvimento. Quando ocorre a reprodução sexuada são formados cistos ou ovos de resistência que se desenvolverão quando as condições do ambiente se tornarem favoráveis.

Os rotíferos possuem grande importância na cadeia trófica como condutores do fluxo de energia, sendo muito importantes na produtividade secundária e ciclagem de nutrientes. Muitas espécies, por sua função detritívora, ajudam na depuração de ambientes com poluição orgânica. São assim também utilizados como indicadores de qualidade da água. Outra utilização destes organismos ocorre na piscicultura, onde são alimento preferencial para filhotes de muitas espécies de peixes.
Cladocera
                                            
Bosminopsis deitersi                                                           Diaphanosoma birgei

Os cladóceros são crustáceos da classe Branchiopoda (ordem Cladocera), que possuem na maioria das vezes entre 0,2 e 3mm. São em sua maioria, de água doce. A maioria possui hábito rastejador ou bentônico na região litorânea de lagos e reservatórios, mas também há famílias tipicamente planctônicas. As espécies bentônicas são raspadoras, se alimentando da matéria orgânica de plantas, sedimentos, já as espécies planctônicas são filtradoras se alimentando de fitoplâncton, bactérias, detritos. Poucas espécies são predadoras.



Possuem rápido desenvolvimento, sendo sua reprodução basicamente assexuada e sem larvas e, por isso, neste aspecto, são muito semelhantes aos rotíferos. Há ocorrência de partenogênese por varias gerações e uma fêmea pode produzir incubações sucessivas. Na reprodução assexuada, os ovos são depositados na câmara de incubação, de onde os filhotes saem com aparência já semelhante a do adulto. Quando ocorre essa liberação de filhotes, ocorre também uma muda, e outro grupo de ovos é colocado na câmara.

Entretanto, quando há uma mudança em algum fator ambiental, como seca e falta de alimento, tornando assim o ambiente desfavorável, alguns ovos dão origem a machos e fêmeas sexuais. Estes então produzem ovos fertilizados envolvidos por uma cápsula protetora que nada mais é que a carapaça modificada (efípio) que é liberada após a próxima muda. O efípio aguenta desta forma ressecamento, congelamento e a passagem pelo intestino de animais, se desenvolvendo quando as condições tornarem-se favoráveis novamente. O efípio é também, por causa de sua resistência, uma importante estrutura de dispersão, devido a sua formação, os cladóceros apresentam grande distribuição geográfica, sendo alguns de fato cosmopolitas.

Algumas espécies de cladóceros possuem várias formas, isto é chamado de polimorfismo e pode ser devido à idade do animal, à influência da predação ou a fatores ambientais. Em algumas das espécies planctônicas, esse polimorfismo pode apresentar padrão sazonal onde gerações com formas diversas se sucedem ao longo do ano, neste caso, esse fenômeno leva o nome de ciclomorfose.

Os cladóceros ajudam na condução do fluxo de energia e produtividade secundária. Como são de fácil cultivo, tem curto tempo de desenvolvimento, são importantes na piscicultura como fonte de alimento principalmente para alevinos de espécies de peixes de importância comercial. São também utilizados como indicadores das condições ambientais e como organismos testes padronizados para estudos em ecotoxicologia.
Copepoda
                                       
Calanoida: Argyrodiaptomus sp.                                                  Cyclopoida: Thermocyclops decipiens

A classe Copepoda é a maior e mais diversificada entre os crustáceos. Há cerca de 12000 espécies conhecidas, destas, 7500 são de vida livre sendo 1200 próprias de águas continentais. Além disso, são considerados o grupo de organismos pluricelulares mais abundantes no planeta, superando em número de indivíduos até os insetos. Habitando também os mais diversos ambientes, incluindo terras úmidas.

Os copépodos de águas continentais são menos diversificados que os de água salgada, possuindo assim quatro ordens principais: Calanoida, Cyclopoida, Harpacticoida e Gelyelloida, sendo que os Calanoida e Cyclopoida fazem parte do plâncton, os Harpacticoida são bentônicos e os Gelyelloida, próprios de águas intersticiais profundas.

Os Copepoda podem apresentar quatro tipos de dietas, sendo estes herbívoros, onívoros, carnívoros ou detritívoros. Calanoida são comumente filtradores sendo herbívoros ou onívoros, se alimentando de algas, bactérias pequenos animais e ocasionalmente de detritos. Já os Cyclopoida têm hábito capturador e em geral são onívoros. Pode também ocorrer canibalismo. Além disso, como possuem diversos estágios de desenvolvimento, os hábitos alimentares podem mudar conforme o crescimento.

Estes organismos possuem reprodução sexuada e passam por diversos estágios de desenvolvimento. Após a eclosão do ovo, ocorre um estágio larvário conhecido como náuplio, onde o corpo não é segmentado. Em geral, ocorrem de cinco a seis estágios nauplianos. Após isso, ocorrem as formas de copepoditos (cinco estágios), que possuem o corpo segmentado. Neste ponto, ele completa seu desenvolvimento e se torna adulto.

Os copépodos são importantes como elo de ligação na cadeia trófica, sendo assim importantes na condução do fluxo de energia e produtividade secundária. Podem ser utilizados como bioindicadores, sendo bastante conhecida a proporção Calanoida/Cyclopoida como um indicador de estado trófico, onde no geral quanto maior a quantidade de Cyclopoida, mais eutrófico é o ambiente. Pode também ser utilizado na piscicultura e algumas espécies de Cyclopoida já foram testadas para serem utilizadas no controle biológico de larvas de mosquitos como Anopheles e Aedes transmissores de doenças. Para a saúde humana também é importante destacar a doença dracunculose transmitida por Cyclopoida do gênero Mesocyclops, hospedeiros do parasita Dracunculus medinensis que ocorre na África, Paquistão e Índia.