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terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Reprodução do cascudo zebra


AUTOR E FOTOS:
Ingo Seidel / Contribuição Karin & Gerd Arndt
Tradução de Alexandre Avari

Artigo originalmente publicado na revista Tropical Fish Hobbist, edição n.º 479 de Janeiro de 1996.
Titulo Original: New Infirmation on the Zebra Pleco, Hypancistrus zebra




Em 1989 o mundo dos fanáticos por cascudos entrou em polvorosa! Eram publicadas as primeiras fotos de uma espécie de cascudo ainda não descrita, mais uma das raridades do rio Xingu, com o corpo listrado de preto e branco. Foi chamada imediatamente de zebra pleco, ou Acarí zebra.

O coração desse seleto grupo de aquaristas bateu forte, mas a primeira importação destes peixes foi um banho de água fria para todos, pois seu preço era estratosférico. Mas os preços caíram com o passar do tempo e hoje até mesmo meros mortais podem adquirir esta bela espécie, enfim descrita em 1991 como Hypancistrus zebra Isbrücker & Nijissen.

Logo muitos rumores de sucesso em reproduzi-los apareceram por aqui e por ali, que não passaram de rumores, até a publicação de dois relatos na renomada revista alemã DATZ (Die Aquarien- und Terrarienzeitschrift www.datz.de) em Outubro de 1993.

A partir daí muitos aficionados conseguiram sucesso na reprodução, dentro outros, meus bons amigos Karin e Gerd Arndt, dos quais passarei suas detalhadas experiências, além das informações do Sr. Rickoff, passadas em reunião na Sociedade Alemã de Aquarismo de seu sucesso na reprodução em aquários densamente plantados (tipo Holandês). Justamente durante a compilação das informações que formariam este artigo, meus próprios Acarís zebra reproduziram, por isso adiei um pouco a publicação prevista, assim pude incluir também as minhas próprias experiências.

SISTEMÁTICA

O Hypancistrus zebra difere tanto dos demais cascudos conhecidos que receberam um gênero novo para acolhe-los. Quando Stawikowski introduziu na revista DOTZ a foto do cascudo L98, com listras semelhantes, mas irregulares, pensou-se em uma nova espécie do gênero. Ainda não há certeza absoluta, mas parece não ser o caso. Seria apenas uma população com variação na padronagem. Outra variação é o L173, o único espécime encontrado deve tratar-se duma variação individual bastante interessante.

DIMORFISMO SEXUAL

A diferenciação de sexos entre os cascudos zebra é sutil. O padrão da coloração é o mesmo. O raio duro das nadadeiras peitorais do macho são mais espinhosos que os das fêmeas, e na época de reprodução, o macho desenvolve mais esses espinhos.

Adicionalmente, os espinhos intra-operculares (das bochechas) dos machos são mais longos que os das fêmeas. Olhando-os bem, ainda pode-se perceber diferenças no formato do corpo. Vistos de cima, os machos são significativamente mais robustos que as fêmeas na cabeça e na região das nadadeiras peitorais. A barriga e a cauda mais largas não podem ser levadas em conta, pois muitos machos são tão troncudos quanto às fêmeas. Eles devem acumular muita gordura para suportar o tempo que passam cuidando das crias, em que não se alimentam.






Se for preciso, separe seus peixes em um pequeno aquário para tentar diferencia-los, olhando mais detalhadamente e sem interferências externas.

HABITAT NATURAL

Os acaris zebra são endêmicos do Rio Xingu. Sua descrição original os coloca em Altamira no Estado do Pará, mas os nativos afirmam que também podem ser encontrados na porção mato-grossense do rio. O rio Xingu possui muitas rochas de origem vulcânica extremamente intrincadas, lar perfeito para muitas das mais exóticas espécies de cascudos.

Quando coletados para coletas de dados para sua descrição científica por Schliewen e Stawikowski, em 25 de Setembro de 1988, a temperatura ambiente era de 34,5ºC, a água estava a 32,2ºC, até 35ºC fora registrado neste dia. O PH estava em 6,5 em média, a condutividade da água 120uS/cm e o DH cerca de 1º. A quantidade de ferro era menos de 0,05mg/litro.

COMPRANDO

Alguns anos atras, encontrar estes belos peixes à venda era um problema. Quando os primeiros chegaram para o mercado internacional, estavam em péssimas condições de saúde, com barrigas côncavas e olhos fundos, sinais claros de avançada desnutrição. Muitos aquaristas sofreram perdas, inclusive nós mesmos. Felizmente isso mudou e muitos dos acaris zebra encontrados à venda estão em boas condições.

Durante a época de coleta desses peixes, do verão ao início do inverno (estação seca), são pegos nas margens, a espécie é importada em grande quantidade. No restante do ano, ainda há exportação, mas em quantidade muito menor, pois os piabeiros, responsáveis pela coleta dos peixes, devem mergulhar muitos metros com equipamento para mergulho e tentar capturá-los em suas tocas.

Se você tiver a sorte de comprar um exemplar já nascido em cativeiro, sua adaptação ao aquário será muito mais fácil.

CUIDADOS

Por ser uma espécie pequena (cerca de 10cm), são muito adequados para aquários. Como muitos outros cascudos brasileiros, são bastante adaptáveis e toleram algumas diferenças mínimas nas condições da água de seu tanque. Até em PH pouco acima de 7 e alguma dureza são toleráveis. No dia a dia, temperaturas de 22ºC a 28ºC são adequadas. Mas a qualidade da água é crítica, Estes peixes exigem água muito limpa e com excelente oxigenação. Aeração suplementar é muito recomendável, como, aliás, toda espécie natural do singular Rio Xingu.

Apesar de já ter sido reportado o contrário, em nossa experiência, muitos Acaris zebra foram mantidos juntos em um tanque sem problemas. Entre machos ocorrem algumas faíscas, mas nada que os machuque.

O principal cuidado é com seus companheiros de tanque que podem oprimi-los demais. O aquário para eles não precisa ser alto, mas quanto maior for a área do aquário, a circulação e a quantidade de tocas, melhor.

Lembre-se que em seu habitat natural, acaris zebra vivem em meio a rochas cheias de cavidades e fendas. Para reproduzir tais condições em nossos tanques, é recomendável que se construa algumas cavernas com grandes lascas de ardósia ou outras pedras.



Um macho explora uma toca construída específicamente para reprodução.


Troncos, no entanto, podem até ser omitidos! Diferente dos outros cascudos, não os consideram boas tocas e não gostam muito deles, preferindo rochas. Mais: diferentes dos demais cascudos, são basicamente diurnos, mas tímidos ao menor movimento na frente do aquário. Assim que se sentem tranqüilos, voltam às suas atividades, basicamente a procura constante por comida. Adoram Artemia salina, adultas ou náuplios. Alimento vivo ou congelado, como Dáphnia e blood worms, são muito bem aceitos. Blood worms são seu alimento favorito. Ração em tabletes e à base de vegetais, no entanto, são ignorados.

Temos a idéia que todo cascudo é um comedor de algas. Acaris zebra as repudiam fortemente. Não é necessário fornecer-lhes nenhum complemento vegetal. São espécies carnívoras e predadoras, que se deliciam com carcaças e pequenos animais que vivem nas fendas das rochas.






Suas bocas, bem menores que a da maioria dos cascudos, são adaptadas para sugar esses animais de suas tocas, não para raspar. Seus dentículos encontram se distribuídos nos lábios apenas para fixá-los melhor às rochas, os internos são adaptados para quebrar os frágeis exoesqueletos de diminutos crustáceos.

Alimentos podem ser testados. Alguns podem gostar, outros não. São peixes seletivos e com muita individualidade.

PREPARAÇÃO DO AMBIENTE PARA A REPRODUÇÃO

Três Fatores básicos para o sucesso na reprodução dos Acaris zebra são: Temperaturas elevadas, cerca de 30ºC ou pouco mais, excelente oxigenação e disponibilidade de muitas tocas para desova.

De acordo com Rickhoff (criador) em conversa, a primeira desova de Hypancistrus zebra ocorreu num aquário preparado para a desova de acarás disco, com temperatura de 30ºC. Como estava concentrado nas desovas de discos, quando a temperatura caiu após a desova, os cascudos pararam completamente com suas atividades sexuais, retomando tão logo a temperatura voltou a subir. A primeira desova ocorreu a 32ºC, mas depois ocorreram também em temperaturas um pouco mais baixas, um ou dois graus. Mesmo mantidos em águas alcalinas e duras, a temperatura elevada incita-os a reproduzir de forma a ignorar esta condição não adequada.

Pahnke (criador) menciona em seu relato em 1993 trocar apenas 10% da água diariamente utilizando água de osmose reversa, mas certamente este procedimento não é absolutamente necessário. Mas não nego que o efeito é favorável na reprodução e na manutenção e crescimento dos filhotes.

Precedendo toda história de sucesso na reprodução do Acari zebra há uma potente filtragem. Não sabemos precisar qual seria mais importante, se uma poderosa filtragem biológica ou a forte aeração. Certamente ambas condições estão intimamente conectadas. Na minha experiência utilizei uma vazão de cerca de seis vezes o volume total do aquário por hora. Recomendo o uso de pedras porosas formando cortina de bolhas bem finas.

Rickhoff e Pahnke obtiveram sucesso utilizando cavernas alongadas feitas com argila. Meu amigo Walter fez furos em pedras, Gerd e Karin Arndt utilizaram cavernas de placas de ardósia feitas por eles mesmos. Todas estas opções foram muito bem aceitas pelos meus peixes.

Para determinar o tamanho ideal da toca, calcule desta forma:
Comprimento da toca – Suficiente para caber o peixe com sua nadadeira dorsal abaixada, com pouca folga;
Largura da toca – Largura do peixe com 2/3 da medida das nadadeiras peitorais completamente abertas, com pouca folga;
Altura da toca – Altura do peixe mais 2/3 da altura de sua nadadeira dorsal.

Para um adulto totalmente crescido, utilizo tocas de 7,5 x 2,5 x 1,5cm. Peixes jovens preferirão tocas menores. A localização das tocas também é importante. Rickhoff observou que os cascudos procuram tocas que recebem suave e constante corrente de água vinda dos filtros.

DESOVA

Como regra, a seleção de tocas é feita imediatamente após os peixes serem colocados no aquário de reprodução. Como parâmetro, a reprodução do Acari zebra é muito similar à dos cascudos do gênero Ancistrus, já bastante bem documentada, mas com algumas diferenças.

Os zebras geralmente ficam uns sobre os outros na caverna com as caudas para a saída, o macho então vira e coloca sua nadadeira caudal e metade de sua cauda sobre a cabeça da fêmea, como num abraço, e ela começa a depositar os ovos em pequenas séries. Assim que a desova começa, o macho bloqueia a entrada da toca com sua cabeça.

Quando a fêmea termina cada uma das posturas, fica inquieta e, fazendo movimentos de vai e vem, avisa ao macho que aqueles ovos estão prontos para a fertilização.

Depois da postura, a fêmea geralmente não sai da toca e acaba sendo expulsa pelo macho. Ele cuida dos ovos com muito zelo, como Ancistrus, mas ainda não observou-se o comportamento característico aos Ancistrus de guardar os ovos com a boca no Hypancistrus zebra. Em caso de perigo, como, por exemplo, iluminar a caverna, o macho cobre a massa de ovos o máximo possível, apenas um ou dois ficam visíveis.

Os peixes dos Arndt desovaram pela primeira vez em 10 de Junho de 1994, mas eles não tiveram sorte. 3 dias depois as cascas vazias foram abandonadas na entrada da toca. Provavelmente os ovos não foram fertilizados, muito comum de acontecer nas primeiras desovas.

A segunda foi melhor, no dia 13 mesmo e no dia seguinte, o exato número de ovos não fora contado. No dia 80, seis larvas com enormes sacos vitelinos estavam fora da toca, elas foram recolhidas e colocadas em uma criadeira perto da saída do filtro, infelizmente três delas morreram após algum tempo. No dia 23 de junho, o macho fora avistado em outra desova, seguido por outro macho no dia seguinte. As desovas começaram a ser regulares.

Como mencionei, meus acaris zebra também desovaram inesperadamente. Eu mantinha alguns peixes há mais de dois anos, eles chegaram a cerca de 8cm, mas eram todos obviamente machos. Então ano passado comprei mais 5 exemplares, todos jovens, e os coloquei num aquário de 280 litros junto a outros cascudos e acaris.

Além de algumas plantas em vasos e algumas placas de pedra, haviam apenas duas cavernas de reprodução, uma delas era morada dum Ancistrus.

Porém o maior zebra, cresceu bem mais rápido que os demais e já estava com quase 7cm, mostrou interesse na caverna e por fim conseguiu expulsar o velho cascudo da toca. Dois dias depois um dos outros zebras pequenos estava muito próximo a esse macho, obviamente era uma fêmea.

Logo, para minha surpresa, estavam desovando, mesmo sendo a fêmea bastante jovem ainda. No dia seguinte pude mover a toca e fotografar a desova, para desespero do macho.

Pude contar, atônito, 12 ovos. Por já ter experiência com desovas de cascudos, sei que os ovos são muito delicados e exigem muitos cuidados, por isso os tratei de transferir para um pequeno aquário plástico. Para manter a temperatura, o coloquei dentro do tanque dos adultos, com uma pedra porosa para fornecer oxigênio extra. Adicionei preventivamente uma pequena dose de fungicida.


Dois dias depois constatei que dois ovos estavam estranhos. Os perfurei e suguei seu conteúdo com uma pipeta plástica, certificando-me não restar mais resíduos, deixando a casca para traz. Esta medida foi necessária pois as ovas de cascudos são coladas juntas de tal maneira que separá-las é impossível sem danificar outros ovos.
Troquei completamente a água do pequeno aquario.
No quarto dia percebi que um dos ovos não se desenvolveu, também o sifonei.
A 30ºC, os ovos eclodiram após sete dias. Obtive mais sucesso em minha segunda desova, que ocorreu um mês depois, onde consegui manter 11 filhotes dos 12 ovos colocados.






Apesar de apresentar uma coloração interessante, é muito mais clara, tanto que só por brincadeira os apelidamos de Zebra Fantasma. Seria genético ou ambiental?

Supõem-se que os filhotes permanecem na toca após consumirem totalmente seus sacos vitelinos, acompanhados por seu pai, como ocorre com Ancistrus. Supõem-se pois todos os relatos coletados apontam para essa direção. Os primeiros que vi em minha experiência, como citei à pouco, estavam fora da toca, mas creio ter sido apenas um acidente.

Na natureza, dificilmente uma larva de peixe, com um saco vitelino tão desproporcionalmente maior ao corpo, conseguiria escapar de predadores sem a tutela do pai.

Alguns ovos podem rolar fora da toca pelos movimentos estabanados do macho. Os ovos, apesar de serem unidos quimicamente formando uma massa única, podem desprender eventualmente, sobretudo em PH mais elevado.

Alguns perigos muito comuns aos ovos são caramujos, que, dependendo do nível da infestações, podem dizimar os ovos em minutos, assim como planárias e sangue-sugas. Medicamentos contra esses seres costumam ser pouco eficientes, melhor retirar os peixes e desinfetar todo o aquário.

CUIDADOS COM JOVENS ACARIS ZEBRA

Cuidar de seus filhotes recém saídos da tutela do macho não é um grande problema. Após a completa absorção do saco vitelino, o índice de sobrevivência sobe muito!

Imediatamente os filhotes aceitarão ração ou alimento vivo ou congelado. Eu uso náuplios de artêmia e rações que contenham preferivelmente spirulina em sua composição.






Como todo cascudo, sobretudo nesta espécie, a assepsia do tanque de crescimento é fundamental.
Sobras de comida devem ser sifonadas imediatamente e as trocas parciais deverão ser constantes.

O crescimento é bastante lento, mas contínuo. Em cerca de dois meses e meio passam pouco dos dois centímetros.




Cascudo Zebra






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DESENVOLVIMENTO DOS FILHOTES
Como todo cascudo do grupo dos Ancistrus, os ovos são amarelos ou alaranjados. Os dos acaris zebra são leitosos logo após a postura, e você pode pensar que não foram fertilizados.

Os ovos são grandes, o diâmetro deles varia conforme o porte e a idade da fêmea, em média 4 ou 5mm e em pequena quantidade, de 7 a 10 ovos. Eu espero que fêmeas totalmente adultas e muito bem alimentadas consigam produzir até 20 ovos. Curiosamente grandes cascudos usualmente tem ovos pequenos.

Imediatamente após a fecundação, a estrutura do ovo se reorganiza e começa a desenvolver um embrião. Após um dia já é possível identificá-lo como uma linha fina e clara dentro do ovo translúcido, no terceiro dia, até mesmo o coração pulsando é visível, porém não há nenhum sinal de sua característica coloração, o único pigmento visível são os dos olhos.

A velocidade do desenvolvimento dos ovos, como acontece com a maioria dos peixes, depende da temperatura do ambiente. Em temperaturas razoáveis, a eclosão leva de 6 a 7 dias, mas a 30ºC constantes, pode-se ganhar um dia nesse prazo! Mas é preciso olhar atentamente para constatar a eclosão, pois as larvas em si são muito finas e os sacos vitelinos são enormes, quase do mesmo tamanho dos ovos.

Os cascudos do grupo dos Ancistrus absorvem o saco vitelino em cerca de 4 dias e passam a se alimentar, Nos Acaris zebra, no entanto, leva-se cerca de 11 a 13 dias para o filhote absorver tudo e começar a se alimentar.






A partir dos dois dias de vida já se nota alguma pigmentação, com seis dias já começam a definir a padronagem de cor típica da espécie. A coloração ainda é esmaecida, mas em duas ou três semanas as faixas terão o característico contraste intenso das áreas de preto e branco.

Os Arndts obtiveram espécimes com um padrão bastante diferente de coloração. Um de seus casais produziram 04 filhotes com coloração mais suave. O suposto pai desta ninhada possui uma padronagem diferente na cauda.



CONCLUSÃO:
Em poucas palavras, o Hypancistrus zebra é um excelente peixe para cativeiro, cuja reprodução é facilmente obtida desde que suas exigências quanto à qualidade da água sejam atendidas (temperatura elevada, ótima filtragem, excepcional oxigenação) e os pais estejam bem alimentados com grande variedade de nutrientes.
FONTE: falandodepeixes-cascudo.blogspot.com/

Peixe Cascudo


ZEBRA IMPERIAL


LISTA COMPLETA
Cascudos (ou Acaris) são peixes que possuem boca em forma de ventosa, placas ósseas ao invés de escamas, capacidade de dilatar a pupila do globo ocular e tem cabeça achatada. Gêneros:
Ancistrus, Hipostomus, Bariancistrus, canthicus, Hypancistrus,
Leporacanthicus, Panaque, Pseudacanthicus e Peckoltia.
Ordem: Siluriformes
Classe Actinopterygii.
Atualmente há em torno de 600 espécies já reconhecidas.
Origem: Continente Americano, porém são encontrados em maior abundância na América do Sul.
Habitam diversas regiões dos rios, geralmente são encontrados mais próximos onde as águas são mais correntes, o que proporciona maior nível de Oxigênio diluído.
Apresentam mais de 70 gêneros, com mais de 600 espécies descritas, sendo 450 já reconhecidas.
São a maior família de peixes de fundo neotropicais.

COURAÇA:
Tem seu nome em português, "cascudos" devido à verdadeira couraça que recobre seus corpos.
São pequenas placas ósseas adaptadas à maneira de escamas, que percorrem o corpo em várias fileiras (de três a quatro fileiras), e lhes conferem aparência visual e sensação tátil de lixa.
Essa "armadura", geralmente, recobre apenas a parte "superior" dos peixes, deixando o ventre ou "barriga" apenas com pele lisa.
Devido a essa característica possuem camada muito menos espessa (ou até mesmo não a tem) do muco epitelial externo que recobre as escamas (dos peixes escamados), não sendo por isso "escorregadios" ao toque como outros peixes.

SILURIFORMES
Peixes siluriformes da família Loricariidae, também conhecidos como acari, cari, boi-de-guará e uacari. Os loricariídeos são peixes exclusivamente de água doce, que habitam os rios e lagos da América Central e do Sul. Caracterizam-se pelo corpo delgado, revestido de placas ósseas, e pela cabeça grande. A boca localiza-se na face ventral e em algumas espécies é rodeada por barbas. Estes peixes vivem nos fundos dos rios, até cerca de 3000 metros de profundidade, e alimentam-se de lodo, vegetais e restos orgânicos em geral. Algumas espécies de pequena dimensão conhecidas como limpa-fundos, como o Hypostomus plecostomus, são muito populares em aquariofilia pelo gosto com que limpam o fundo dos aquários de algas e detritos indesejáveis. O pouco conhecimento sobre a distribuição destes peixes nos rios da América do Sul e a falta de revisões mais recentes deste grupo são problemas que dificultam a identificação de novas espécies. Para fazer a criação de cascudos é necessário dominar a técnica de desova induzida, que consiste em provocar o amadurecimento sexual através de hormônios. Como o peixe é pouco conhecido, esta tecnologia não é fácil de ser aplicada, pois não se tem certeza do comportamento das variadas espécies. Em geral, são mais utilizados como peixes ornamentais porque o animal é um verdadeiro 'limpa vidros', alimentando-se do lodo que se acumula nas paredes do aquário. Quem quer ter um cascudo de estimação, além de gastar, em média, entre 2 e 5 reais para comprá-lo, deve tomar uma série de cuidados. O primeiro deles é não colocá-lo num aquário muito novo e com água limpa, pois o animal precisa de um ambiente onde já ocorra a presença de algas e lodo necessários para a sua alimentação. Outra dica é verificar o pH da água, que deve ser neutro. Há algumas espécies que suportam águas um pouco mais ácidas. Outro cuidado importante é não colocar dois cascudos dentro de um mesmo aquário. Embora sejam dóceis e convivam pacificamente com outros peixes, ficam agressivos entre si. Isso porque, num ambiente pequeno, competem pelo mesmo espaço e alimento, podendo ocorrer até canibalismo. Reprodução: ovíparo. Deposita os ovos em grutas e buracos. Comportamento: Pacífico. Hábitos: Noturnos. Aquário: médio a grande com plantas e pedras.

QUALIDADE E TEMPERATURA DA ÁGUA:
Encontrados em sua maioria nas regiões Amazônicas, as águas costumam apresentar pH levemente ácido, com dureza total (GH) de mole (0 - 5 °dH) a médiamente moles (5 - 15°dH).
Mas muitas espécies são oriundas de águas levemente alcalinas (até 7.4°pH), porém sempre com dureza permanente no máximo média (isso se dá principalmente devido à alta oxigenação da água pela forte correnteza, que expulsa o CO2 para a atmosfera).
Qualquer pH entre 6,0 e 7,5 pode ser bem aceito;
Águas com dureza de média para alta (15 - 30°dH/GH) devem ser evitadas.
A temperatura grosso modo, as espécies amazônicas demandam temperaturas maiores (entre 26 e 29°C, adaptando-se tanto a temperaturas maiores como menores), enquanto que aquelas de regiões mais ao Sul:
Hypostomus plecostomus, Otocinclus sp., vários Rineloricaria, apesar de se adaptar bem a essas temperaturas mais altas, aceitam bem temperaturas de 22 a 26°C.
Mudanças na salinidade não são toleradas por essas espécies!

COMPRA:
Quase todos os peixes, até chegar às mãos do aquarista, recebem maus tratos.
Portanto, procure os exemplares que estejam fisicamente intactos, que tenham nado perfeito e, de preferência estejam um pouco barrigudinhos.
Sua introdução no aquário deve ser efetuada com cuidado (isso vale para todas as espécies de peixe), pois um choque térmico e mudanças bruscas nos parâmetros da água podem matar.
Observe bem antes de comprar, e somente adquira peixes que apresentem o corpo e as nadadeira sem defeitos, ferimentos, sinais de doenças (pontos, manchas, defeitos, rasgos, arranhões etc); que estejam respirando normalmente (nem muito rápido nem muito lento); que estejam vivazes e ágeis ao nadar, com as nadadeiras abertas quando parados; que se "fixam" com força no vidro do aquário, e não fiquem "caindo" ou "escorregando" a todo momento.
Não confunda com o movimento intencional do peixe ao se alimentar junto ao vidro; que não estejam excessivamente escuros; e que não estejam muito apáticos ao serem capturados pelo vendedor, devem apresentar certa resistência a serem capturados, quando perseguidos pela rede.
Observe ainda se os peixes não estão muito "magros": seu abdome não pode estar "convexo" ou "para dentro", e sim com uma leve "barriguinha".
No caso de Rineloricaria, não é comum apresentar tal "barriguinha", mas também não deve apresentar-se extremamente magro.




NO AQUÁRIO
A descoberta de novas espécies exóticas, está atraindo muitos admiradores desta espécie.
O importante para se mante-los sadios é um aquário com dimensões compatível à espécie que o aquarista pretende criar.
Lembre-se, conforme a espécie, podem ultrapassar 30 cm. Plantas, são muito bem-vindas, pois estas criam áreas com sombra, fazendo com que dêem pequenos passeios à procura de alimento mesmo com as luzes acesas.
Porém, conforme a espécie e devido ao tamanho e seu modo de nado, podem acabar arrancado ou quebrando suas folhas.
Boas opções são as Valisnerias, Higrophilas e Salvinia.

ALIMENTAÇÃO
Podemos alimentá-los com rações industrializadas à base de vegetais ou spirulina. (Escolher rações que afundem).
Fornecer pepino, abóbora, batata, abobrinha, repolho e alface é imdicado pois são ricos em fibras, das quais eles necessitam, retirar os restos no dia seguinte para que não danifiquem a água.
A ausência de fibras suficientes na dieta desses peixes pode levar, rapidamente, a sérios bloqueios intestinais, geralmente resultando em morte.
Dar o alimento pouco antes de desligar as luzes do aquário.
Muitos pensam que todos os Cascudos comem algas, mas há espécies que apreciam dietas carnívoras, ou seja, vermes, insetos aquáticos e até pequenos peixes.
Hypancistrus Zebra (Cascudo Zebra Imperial) é um deles.
Quando o "cascudo" começa a "atacar" outros peixes, tentando "fixar-se" sobre esses, na tentativa de sugar seu muco indica uma só coisa:
O cascudo está desesperado de fome.
CURIOSIDADE:
Como muitos membros dos Loricarídeos atingem tamanhos consideráveis na Natureza (60cm ou mais), são muito comuns na culinária de populações ribeirinhas, que sempre apontam para uma peculiaridade de seu preparo: se não for devidamente "limpo" (destripado), a carne apresentará um gosto ruim, lembrando terra.



OS LORICARÍDEOS COSTUMAM SER CLASSIFICADOS DENTRO DE CINCO SUB-FAMÍLIAS:
1) Ancistrinae:
possui a maior quantidade de gêneros entre os Loricarídeos; entre os mais famosos, conhecidos e numerosos são os Ancistrus sp., que apresentam os característicos e exclusivos "tufos de cerdas", seja em volta da boca e ou guelras, como também sobre a cabeça e ou "focinho"; compõem também a sub-família Acanthicus sp.; Baryancistrus sp.; Chaetostoma sp.; Cordylancistrus sp.; Dekeyseria sp.; Dolichancistrus sp.; Exastilithoxus sp.; Hemiancistrus sp.; Hopliancistrus sp.; Hypancistrus sp.; Lasiancistrus sp.; Leporacanthicus sp.; Leptoancistrus sp.; Lithoxus sp.; Megalancistrus sp.; Neblinichthys sp.; Panaque sp.; Parancistrus sp.; Peckoltia sp.; Pseudacanthicus sp.; Pseudancistrus sp.; Spectracanthicus sp.; Scobinancistrus sp.; Pterygoplichthys sp. (sinônimo: Glyptoperichthys).

2) Hypoptopomatinae:
Abrange a maioria dos cascudos-anões ou "limpa-vidros"; dividem-se em duas Tribos:
Tribo Farlowellini:
Aposturisoma sp.; Farlowella sp.; Harttiini sp.; Cteniloricaria sp.; Harttia sp.; Harttiella sp.; Lamontichthys sp.; Pterosturisoma sp.; Sturisoma sp.; Sturisomatichthys sp.; Metaloricaria sp.;
Tribo Hypoptopomatini: Acestridium sp; Hypoptopoma sp.; Microlepidogaster sp.; Nannoptopoma sp.; Oxyropsis sp.; Otocinclus sp.

3) Hypostominae:
Os "cascudos comuns", mais encontrados em aquário.
Hypostomus sp., Cochliodon sp.; Aphanotorulus sp.; Isorineloricaria sp.

4) Loricariinae:
No Brasil, os mais comuns são os os "acarís" (Rineloricaria), de corpo muito alongado e esguio, muitos apresentando cauda com prolongamento de um ou ambos raios mais externos.
No caso de apenas um, o mais alto, dando a aparência de "chicote", e nadadeiras peitorais /ventrais bastante desenvolvidas, não apresentam nadadeira adiposa; costumam se enterrar na areia, deixando apenas os olhos protuberantes "de fora".
Farlowellas possuem corpos tão alongados e esguios que confundem-se facilmente com galhos de árvores (mimetismo), ainda mais devido ao hábito de ficarem horas a fio completamente parados; esse gênero, juntamente com o Sturisoma apresentam ainda curiosos "focinhos alongados", muito sensíveis, e com aspecto de um pequeno "nariz"; os vários gêneros se encontam divididos em três tribos:
Tribo Farlowellini:
Aposturisoma sp.; Farlowella sp.; Tribo Harttiini: Cteniloricaria sp.; Harttia sp.; Harttiella sp.; Lamontichthys sp.; Pterosturisoma sp.; Sturisoma sp.; Sturisomatichthys sp.; Metaloricaria sp.; Tribo Loricariini: Hemiodontichthys sp.; Limatulichthys sp.; Pseudoloricaria sp.; Loricariichthys sp.; Brochiloricaria sp.; Crossoloricaria sp.; Loricaria sp.; Paraloricaria sp.; Pseudohemiodon sp.; Rhadiniloricaria sp.; Ricola sp.; Reganella sp.; Dasyloricaria sp.; Ixindria sp.; Rineloricaria sp.; Spatuloricaria sp.

5) Neoplecostominae:
Até o momento, praticamente desconhecidos no mundo da aquariofilia, por terem sido descobertos há pouquíssimo tempo (cerca de 1990); possuem, como diferencial às outras sub-famílias, as características placas ósseas, de maneira bastante desenvolvida, também na região ventral; apesar disso, no restante parecem-se muito com os Hypostomus.
Compreende os gêneros Hemipsilichthys sp.; Isbrueckerichthys sp.; Kronichthys sp.; Neoplecostomus sp.; Pareiorhina sp.

Parece que, recentemente (1998 - 99), houve uma proposta de reclassificcação taxonômica, que dará origem a uma série de mudanças, entre elas, a criação de uma nova sub-família, ainda sem nome definido, e que apresenta os seguintes gêneros: Delturus sp.; e Upsilodus sp.
A sub-família Ancistrinae passará ainda a ser considerada apenas uma tribo dentro da sub-família Hypostominae; e o grupo dos Pterygoplichthys passará a ser uma nova sub-família, devido às suas características morfológicas, que atualmente os deixam num meio-termo entre os Ancistrinae e os Hypostominae; e dentro da sub-família dos Pterygoplichthys, constarão os gêneros Pterygoplichthys e outro, ainda não totalmente descrito, mas relacionado ao grupo do Hemiancistrus annecten (Armbruster ,1998).
Não adotamos essa reclassificação porque a mesma é apenas uma proposta, e ainda não é aceita pela sociedade científica internacional.









Pseudacanthicus Leopardus







Spectracanthicus







Lithogenes Wahari







Hypostominae







Neoplecostominae Regan







Ancistrus Planiceps


O nome Ancistrus vem do grego "agkhistron", significando "gancho barbado", devido à presença de possuir um arco branquial cheio de protuberâncias, as quais, muitas vezes, apresentam-se na forma de espinhos; o peixe, quando em situação de perigo -- dentro da boca de um predador ou na rede de um aquarista --é capaz de projetar esse "gancho barbado" para fora de suas guelras, "apresentando suas armas" aos inimigos.





Apeltogaster Loricaria


Loricaria: "(casaco/capa de) armadura"; assim, Loricariichthys = "peixe de armadura"; Paraloricaria: Para = "ao lado" -- "armadura do lado".





Pterygoplichthys sp


"peixe com grandes nadadeiras", pterygos = asa (nadadeira); pleion = mais (grandes); ichthys = peixe...





Plecostomus Xingu







Acanthicus







Acestridium







Aphanotorulus







Apistoloricaria







Baryancistrus







Zebra New







Chaetostoma







Cordylancistrus







Corymbophanes







Crossoloricaria







Delturus







Farlowella


O nome Farlowella vem de uma homenagem a W.G.Farlow, da Universidade de Harvard





Hemiancistrus


Hemiancistrus significa, por sua vez, "meio 'ancistrus' ": hemi = metade; então, Hemiodontichthys (um gênero da sub-família Loricariinae) vem a ser "peixe de meio dente": hemi = metade; odon, odontos = dente; ichthys = peixe.





Hemipsilichthys







Hroseo







Hypoptopoma







Hypostomus


Hypostomus plecostomus, significa algo como "boca achatada (em forma de prato), do lado de baixo" -- hypo = abaixo, do lado de baixo; stomus = boca; pleco = achatado.





Lipopterichthys







Liposarcus







Loricariinae







Macushi







Microlepidogaster







Nannoptopoma







Neblinichthys







Oligancistrus







Otocinclus


O nome Otocinclus vem de uma alusão à sua anatomia externa, que apresenta pequenos orifícios na região da cabeça, que evocaria certa semelhança à ouvidos, devido à sua posição (mas não em função): Oto = "ouvido"; cinclus = "treliça" ou "cinto".





Otothyris







Panaque







Peckoltia







Hypancistrus Zebra


Conhecido como Zebra Imperial é carnívoro. Alimentação ideal vermes, insetos aquáticos e até pequenos peixes.





Pseudacanthicus


"com spinhos falsos" -- pseudo = falso; acanthicus = acúleos (espinhos).





Pseudohemiodon







Rineloricaria


Rhine = fileira; Loricara = armadura / "armadura em fileiras"





Squalinus







Sturisoma


"corpo em forma de esturjão"
Fonte: falandodepeixes-cascudo.blogspot.com/