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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Camarão Red Crystal




Nome
: Camarão Cristal Vermelho / Crystal Red Shrimp
Nome científicoCaridina cf. cantonensis "Crystal Red"
Origem: Mutação do Camarão Abelha (Bee Shrimp)
Tamanho macho/fêmea: 2.5cm / 3.0cm
Temperatura: 25 - 29 °C
Parâmetros da água: pH 6.5 - 7.5
Taxa reprodutiva: Alta
Sociabilidade: Pacífico
Dificuldade: Média
 

Geral

Um dos camarões mais populares no aquarismo é o camarão Red Crystal, algumas vezes chamado de Red Bee. Sua coloraçao e dificuldade é o que torna este camarão tão desejado tanto por criadores sérios quanto novatos. As fotos não fazem justiça ao Red Crystal. Uma vez que você vir essa espécie ao vivo você perceberá por que tantos aquaristas são apaixonados por este camarão. Sua coloração não tem é equiparada por nenhum outro camarão de água doce. Por favor leia os parâmetros e condições preferidas pelos camarões Red Crystal antes de decidir comprá-los. Ao longo de sua história, um sistema de gradação foi desenvolvido e algumas gradações se tornaram muito caras. Clique no link abaixo para informações mais detalhadas sobre a graduação dessa espécie.

História

O camarão Red Crystal é na verdade uma mutação vermelha do camarão Bee (abelha) selvagem. Em 1996, Hisayasu Suzuki do Japan descobriu o que seu camarão Abelha tinha listras vermelhas ao invés de negras. Ele reproduziu essa variedade com outro camarão abelha para produzir mais da variedade vermelha. Gradativamente outros criadores selecionaram o Red Crystal para produzir gradações e intensidades de cloração diferentes. No entanto, o Red Crystal não é um camarão para iniciantes. Você deve ter experiência anterior com camarões para poder pisar no domínio do Red Crystal. Os cuidados e natureza dessa espécie requerem muito mais atenção aos detalhes, isso sem mencionar os altos custos que este camarão tem.

Parâmetros da água

O Red Crystal prefere água mole e ácida. Água limpa é também obrigatória, bem como para todos os camarões no aquarismo. No entanto, o Red Crystal pode ser o camarão mais vulnerável de todos quando colocado em água suja. TPAs são obrigatórias para esta espécie. A temperatura não deve ser maior que 27C e o pH deve ir de 6.2 a 6.8. O GH deve ser de 4 a 6 e o KH entre 1-2. É muito importante que o Red Crystal seja abrigado em condições específicas. Extremos em quaisquer dos parâmetros da água mencionados devem ser evitados. Ao se aproximar de gradações mais altas dessa espécie, os parâmetros da água são ainda mais importantes.

Reprodução

O camarão Red Crystal não é tão difícil de se reproduzir como alguns acreditam. Como em todos os camarões de água doce, o Red Crystal se reproduz tão bem quanto outras espécies do gênero Caridina. Ele também produzirá um boa quantidade de filhotes contanto que a água esteja limpa e os parâmetros estejam de acordo com esta espécie. Para mais informação sobre o ciclo de reprodução de camarões de água doce, por favor leia o artigo de Reprodução de Camarões.

Os filhotes do Red Crystal são coloridos como seus pais logo após da eclosão. No entanto, a classificação dos filhotes não pode ser feita até que eles cresçam mais. Você verá a coloração vermelha e branca do Red Crystal mas nenhum detalhe ou padrão que podem diferenciar entre as classes.

Infelizmente o Red Crystal é uma espécie com muitos endocruzamentos (cruzamento entre parentes próximos). A obtenção de classes mais altas significam que os criadores produzirão gerações da mesma linhagem genética. Isso o torna mais delicado e suscetível a doenças e mudanças pequenas nas condições da água como já foi mencionado na seção de parâmetros da água. Essa é a razão de ser recomendável que você tenha experiência na manutenção dos camarões primeiro.

Foto de um bebê Crystal Red Shrimp


Alimentação

O camarão Red Crystal não é muito diferente de outros camarões comedores de alga. É um detritívoro e comedor de algas. A alimentação deve ser feita uma vez por dia, dando-se uma quantidade de comida que o camarão pode terminar em 2 a 3 horas o máximo. Não é bom alimentá-los em excesso e ter comida parada no fundo por muito tempo. Alimentação em excesso é uma conhecida causa de mortes e também pode alterar a qualidade da água. Lembre-se que camarões são detritívoros oportunistas: comerão qualquer coisa que acharem e não estão adaptados a uma fonte constante de comida 24 horas por dia. Não há problemas em deixar de alimentá-los por um ou dois dias e não causará quaisquer danos a eles. Alguns criadores não os alimentam por um ou dois dias para provocar uma limpeza do seu sistema digestório e manter a água limpa ao mesmo tempo.

Aquaristas gostam de proporcionar iodo e nutrição suficiente, mas ao mesmo tempo, prestam muita atenção à qualidade da água, já que os Red Crystals são muito sensíveis ao nitrato. A comida utilizada normalmente é compostar por comida preparada para Red Crystals, espinafre, bloodworms, algas marinhas (nori) e pastilhas de alga (wafers). Há algumas comidas disponíveis no mercado e até em pó para filhotes. Shirakura, Mosura e Biomax são algumas das marcas populares. Há também criadores que misturam sua própria comida utilizando diversos ingredientes.

Crystal Red alimentando


Sexagem

Sexagem do Red Crystal pode ser difícil no estágio juvenil. Assim que as fêmeas atingem a fase adulta, você pode sexá-las ou pelo menos dizer quais são fêmeas. Fêmeas são fáceis de identificar por serem maiores e também ter um abdômen curvado. Alguns acreditam que a coloração pode ser usada como critério, mas não há fortes evidências disso. Ao invés disso, procure por diferenças de tamanho e mais importante, o abdômen. A sela nas fêmeas de Red Crystal pode ser praticamente impossível de ver devido à cor vermelha. No entanto, você pode ver a sela já que ela tem uma cor amarronzada.

Crystal Red grávida


Classe

O camarão Red Crystal vem em diferentes classes, bem como diferentes terminologias de classe. Preços aumentam de acordo com o aumento da classe. Algumas vezes o preço de um Red Crystal de classe alta é assustador. Há relatos de preços de até 2500 USD por um único camarão. Por favor visite o Guia de Classes do Camarão Red Crystal para mais informações.

Crystal Red Shrimp SSS Grade "Mosura"

Tradução e adaptação: Fernando Tsukumo
fonte: planeta invertebrados brasil

Eclodindo ovos de camarão artificialmente

Ryan Wood - Eclosão de ovos retirados de camarões mortos
Por: Ryan Wood

Introdução

Um dia encontrei uma fêmea de camarão Blue Pearl morta ainda com ovos, foi uma visão desapontadora mas eu decidi tomar uma ação. Após alguns passos cuidadosos eu conduzi artificialmente a eclosão dos bebês da fêmea morta. Esta foi a segunda vez que tentei eclodir artificialmente ovos de uma fêmea morta e foi a primeira que obtive sucesso.


Primeira tentativa com Camarão Tigre

A primeira tentativa de eclosão artificial foi com ovos de Camarão Tigre. Esta primeira tentativa aconteceu vários meses antes da tentativa bem sucedida com os ovos de Camarão Blue Pearl. Eu coloquei os ovos de Camarão Tigre em um saco de mídias e pendurei dentro do aquário de Camarões Tigre. Eu li que se você colocar o saco de mídia no caminho da corrente de água iria ajudar. Infelizmente os caramujos conseguiram chegar ao saco, não dentro, e literalmente chuparam os ovos assim como se come ostras. Esta foi uma tentativa frustrada mas uma boa lição de aprendizagem e por esta razão eu não recomendo o procedimento com o saco de mídias.

Camarão Blue Pearl Morta

Um dia enquanto observava os aquários descobri uma fêmea de Camarão Blue Pearl ovada morta. Ela possuía aproximadamente 20 ovos em seu ventre. Eu não sabia há quanto tempo ela estava ovada nem por quanto tempo estava morta. Eu suspeito que ela estava morta há menos de 24 horas pelo fato de eu verificar rotineiramente meus aquários e não ter visto nenhuma fêmea morta no dia anterior. Resolvi dar outra chance a “eclosão artificial”. Contudo, desta vez eu optei por tentar outro método usando um recipiente separado.

Recipiente Separado

Devido ao fato de o saco de mídias ter falhado eu decidi tentar um método diferente. O principal problema que senti usando o saco de mídias é a ameaça de caramujos ou outros animais que poderiam comer os ovos e o saco não foi uma boa defesa. Ao invés de colocar os ovos dentro do mesmo tanque eu decidi usar um recipiente separado fora do aquário original. Mesmo assim senti que usando um recipiente separado poderia não ser bem sucedido, estava cético quanto a usar o recipiente devido ao fato de não ter movimentação de água, queda de temperatura, água velha, etc mas resolvi ir em frente pois não tinha nada a perder.

Uso e preparação do recipiente

Eu consegui um recipiente plástico (este na foto abaixo), o qual eu uso frequentemente no aquário (auxiliar na captura e empacotamento, etc), então sei que está livre de produtos químicos nocivos. Os ovos de camarões são extremamente vulneráveis então não quis arriscar danificar os ovos com contaminantes ou outras influências externas, é vital ter certeza que não há contaminantes externos. Eu usei um recipiente transparente para que pudesse observar de todos ângulos possíveis. Enchi o recipiente com água até o nível visto na foto.


Recipiente Simples de Comida

Separar os ovos da fêmea

Depois de preparar o recipiente e colocar água até o nível desejado era hora de extrair os ovos da fêmea. Eu decidi remover os ovos da carcaça por vários motivos: eu não queria que a deterioração da carcaça produzisse muita amônia nem potenciais doenças, os ovos precisavam ficar completamente isolados em água limpa. A carcaça da fêmea deveria ser separada dos ovos.


Extração dos Ovos

Preparação: Este foi o momento mais difícil durante todo processo de eclosão artificial. Não foi, definitivamente, fácil como você imagina. Eu decidi que durante o processo de extração dos ovos deveria ser feito acima do recipiente para o caso de algum ovo cair acidentalmente, deste modo qualquer ovo caído iria diretamente para a água sem ter contato com outra superfície além disso se algum ovo grudasse na pinça utilizada eu poderia apenas afundá-la na água e deixar que o ovo saísse. É extremamente importante não tocar os ovos com as mãos pois o ácido de seus dedos certamente tem o potencial de danificar permanentemente os ovos, luvas de latex podem ser uma opção segura mas eu não tinha naquele momento.

Pegando a fêmea: Eu removi a fêmea do aquário com uma rede, peguei-a com uma pinça pela cabeça, tive muito cuidado pois não queria espremer os ovos. Ela estava “mole” portanto tive que manipulá-la com muita delicadeza. Você pode pensar que os ovos não são bem presos e que eles podem cair a qualquer momento acredite em mim, este não é o caso. Eles são mantidos juntos com uma substância parecida com lodo/muco/cola, esta “cola” também fecha o ventre da fêmea. Não é uma tarefa fácil remover os ovos quando eles estão colados entre si e ao corpo do camarão ao mesmo tempo tive que ser delicado para remover os ovos, contudo para não partir a fêmea no processo pois se eu a partisse não teria lugar para segurar com a pinça e sem local para pegar ficaria praticamente impossível separar os ovos da fêmea.

Soltando e removendo os ovos: Depois de conseguir pegar a fêmea de forma firme, porém delicada, removi os ovos com uma colher de plástico. Remover os ovos foi muito tedioso pois você tem que soltar os ovos do corpo do camarão gentilmente. Paciência é a chave. Além disso eu decidi não tentar separar os ovos individualmente e os deixei no muco em que estavam. Eu só queria separá-los da fêmea, raspei com a colher os ovos para fora do ventre e depois para dentro d'água no recipiente. Novamente, paciência é vital durante o processo! Não fique frustrado.

Ovos restantes: Depois de remover os ovos com cuidado consegui deixar quase todos no recipiente com água. Poucos ovos ficaram presos no interior do camarão e ficou quase impossível removê-los com as ferramentas que eu possuía. Joguei a carcaça da fêmea fora e inspecionei os ovos no recipiente e removi cuidadosamente qualquer pedaço remanescente da fêmea, tudo que restou foram os ovos unidos pelo muco.

Ovos isolados

Plano: Agora que eu havia isolado os ovos e eles estavam seguros comecei a me aventurar no desconhecido. Optei por um plano simples... troca de 75% da água a cada 3 dias e completar até o nível anterior à troca. Durante a semana eu poderia usar também um dosador (na foto abaixo) e jatear os ovos com água do aquário, jatear os ovos era um modo de resfriar a água, limpar os ovos e criar oxigênio ao mesmo tempo este dosador é na realidade uma seringa medidora de medicamentos para bebês. Você pode achá-la em qualquer farmácia de sua vizinhança.


Dosador

Posicionamento do recipiente: Eu deixei o recipiente próximo ao aquário para tentar dar as mesmas condições. Não medi a temperatura do recipiente, logo não sei qual era. Também coloquei uma tampa para prevenir que o ar deixasse a água muito fria não fechei a tampa, apenas deixei-a em cima do recipiente com uma pequena abertura lateral, a razão para não fechar a tampa foi para que ocorresse troca de ar dentro do recipiente.

Rotina diária: Verifiquei continuamente o recipiente, troquei a água, jateei, cheirei e observei os ovos por 2 semanas. A água tinha um cheiro “engraçado” mas os ovos pareciam bem, suponho que a água estava com cheiro estranho simplesmente porque estava parada. Comparei a coloração e formato dos ovos do recipiente com os ovos nas fêmeas vivas dentro do aquário e não vi muitas diferenças na coloração nem no formato então me mantive no plano inicial

Sucesso!

Camarões bebês: Bem, fui fazer a troca de água um dia, após 2 semanas de experimento, e tinha larvas!!! Não pude acreditar nos meu olhos! Fiquei chocado, tinha ouvido que outros criadores tiveram sucesso dessa forma, mas achei que eu não conseguiria. Depois revi o processo e parece que manter os ovos isolados, com água limpa e bem cuidados podem ajudar qualquer pessoa a eclodir ovos artificialmente. Depois da publicação deste artigo outros aquaristas relataram sucesso utilizando este mesmo método. Funciona e eu sugiro que todos tentem se acharem uma fêmea ovada morta

Fotos: Abaixo fotos de alguns ovos e de algumas larvas recém-nascidas.

Camarão juvenil no recipiente

Ovos

Ovos com olhos

Tradução e adaptação: Cleidson Silva
FONTE: planeta invertebrados 

A reprodução do camarão de água doce no aquário

visão geral
Os camarões de água doce têm um processo de reprodução diferenciado, muitos aspectos desse processo são desconhecidos. Os aspectos que são conhecidos às vezes podem ser distorcidos ou mal interpretados. Este artigo destina-se a tentar explicar, o quanto nos for possível, o processo de reprodução do camarão de água doce de aquário. Este artigo está focado no processo reprodutivo dos camarões que não têm uma fase larval durante a reprodução. Nestas espécies sem fase larval, o resultado do processo reprodutivo é a eclosão de um mini adulto, com formato e funções vitais iguais aos de seus pais.
Sexagem
É claro que quando se tenta compreender o processo de reprodução de um dos aspectos mais importantes é determinar o sexo do camarão. No entanto, isto não é fácil. Algumas espécies são mais fáceis de sexar, enquanto outras são praticamente impossíveis de sexar com o que se sabe agora, então a sexagem realmente depende da espécie que está observando.  
Espécies como Red Cherry, Yellow, Snowball, Red Crystal e outros são muito fáceis de sexar. Outras espécies como o Goldflake Red, Sulawesi Cardinal, Sulawesi Harlequin e outros, podem ser extremamente difíceis para determinar os dois sexos.
Idade: A sexagem depende da idade dos camarões. Sexar camarões adultos é muito mais fácil do que tentar sexar os camarões jovens. Um camarão jovem pode ser muito difícil de sexar, em algumas espécies isto é impossível. Sexar um camarão jovem provavelmente será muito difícil devido ao fato de que o camarão não é maduro o suficiente para mostrar atributos de gênero, cores, padrões, etc. Definitivamente, é uma boa idéia tentar sexar apenas os adultos.
Tamanho e coloração Em muitas espécies a fêmea é maior do que o macho. Além disso, a fêmea é muitas vezes mais escura ou possui coloração mais forte. Isso pode ser facilmente observado nos camarões Red Cherry, as fêmeas não são apenas maiores, mas apresentam um vermelho mais muito mais escuro do que o macho Red Cherry, que é quase incolor, e por muitas vezes é também muito menor do que as fêmeas. As fêmeas de algumas espécies também podem exibir uma sobre suas costas. Abaixo está uma foto dos dois camarões Red Cherry, um macho e uma fêmea. Observe a diferença de tamanho e o mais importante a diferença de coloração entre eles.
Macho e Fêmea do camarão Red Cherry

Atributos sexuais: Existem outros métodos para sexar facilmente um camarão. Sem dúvida, existem alguns atributos visíveis que são capazes de diferenciar um macho de uma fêmea. Estes atributos normalmente envolvem a aspectos da anatomia feminina que não aparecem nos machos. Alguns destes atributos podem ocorrer em certos períodos e alguns outros aparecem em todos os momentos. É claro que uma fêmea que retém os ovos vai te dizer, sem nenhuma dúvida, que é uma fêmea. No entanto, quando os ovos não estão presentes, há outras maneiras de descobrir o sexo dos camarões.
A "Sela": O atributo mais comum para distinguir o sexo dos camarões é o aparecimento de uma sela ou “mini ovos” não desenvolvidos nos ovários. O termo “sela” vem do fato de que os ovos não fertilizados aparecem nas costas do camarão, por trás da cabeça, e tem a aparência de uma sela de um cavalo. Abaixo está uma foto de um Camarão Yellow com ovos e com a sela. Repare na primeira foto como a sela realmente se parece com uma sela real que você encontraria em um cavalo. Na segunda foto observe os minúsculos ovos que compõem a sela.
Camarão Yellow com ovos e “sela”
Close up da Sela
Formato da “Barriga”: Outra maneira de dizer a diferença entre um macho e uma fêmea é a aparência da barriga. Quando a fêmea está grávida, o ventre funciona como um escudo de defesa contra possíveis danos aos ovos. A barriga aparece curvada em fêmeas de várias espécies de camarão, mas existem algumas espécies que não possuem esta característica, independentemente do sexo. A falta de uma barriga não significa necessariamente que o camarão é um macho. Ela realmente depende de idade e mais importante das espécies de camarão em questão. Abaixo está uma foto de um camarão Red Crystal Femea com a barriga bem curvada demonstrando o sexo feminino.
Crystal Red Shrimp Femea com “barriga” com ovos 
Acasalamento
O Ato: O cruzamento entre um macho e fêmea de camarão é muito rápido. Em questão de segundos, o macho agarra a fêmea pelo abdômen, deposita o seu esperma e logo em seguida libera a fêmea. Às vezes você pode observar um macho assediando constantemente uma fêmea em uma tentativa de agarrar ela. Em outras vezes você pode achar que os camarões estão lutando, mas na realidade é um macho tentando acasalar. Abaixo estão algumas fotos de um macho Red Cherry Shrimp agarrando uma fêmea para depositar o esperma.
Red Cherry Macho sobre uma Fêmea por Peter Maguire
Red Cherry Macho sobre uma Fêmea por Peter Maguire
Fertilização: Como discutido anteriormente neste artigo, as fêmeas possuem minúsculos ovos não desenvolvidos nos ovários, também conhecida como a sela. O macho deposita o esperma na fêmeaantes dos ovos saírem dos ovários para as bolsas sob o abdômen. Para chegar até as bolsas, os ovos são passam por dentro do exoesqueleto e são fertilizados pelos espermatozóides previamente depositados. É um grande equívoco pensar que os ovos são fertilizados depois que eles aparecem nas bolsas sob o abdômen. Você não vai ver um acasalamento de camarões se os ovos estão presentes, você só vai ver um acasalamento quando os ovos não estão presentes. Para depositar seus espermatozóides no exoesqueleto da fêmea o macho possui um apêndice minúsculo. Abaixo estão fotos do apêndice.
Apêndice Masculino do camarão Red Cherry por Peter Maguire
Apêndice Masculino do camarão Red Cherry, ampliado por Peter Maguire
Incógnitas: Ainda há muitas incógnitas sobre o que ocorre por trás do processo de acasalamento. Acredita-se que logo após a muda, a fêmea está pronta para acasalar. A maneira em que o macho descobre que a fêmea está pronta para acasalar ainda é desconhecida. Talvez ela libere um sinal químico ou algum outro tipo de notificação que só os camarões conseguem detectar. Sabe-se ainda que, quando uma fêmea faz a ecdise os machos do tanque nadam ao redor do tanque parecendo que estão bêbados, como se estivessem tentando localizar a fêmea pronta. Quando você vê um monte de camarões nadando em torno do vidro do aquário, observe o sexo dos camarões, se você olhar com atenção e perceber que são todos do sexo masculino, então está tudo ok, eles estão apenas procurando uma fêmea para acasalar.
Gravidez
Desova: Um camarão feminino está oficialmente “grávida” quando os ovos estão presentes sob o abdômen. Às vezes o termo "desova" é usado para descrever que a fêmea está guardando os ovos. Como afirmado anteriormente, uma vez que os ovos estão presentes, então eles estão oficialmente fertilizados. Se os ovos não eclodirem em seguida o camarão bebê não está totalmente desenvolvido. Se os ovos forem retiradas ou parecer que a fêmea tenha perdido alguns ovos pode haver muitas razões para isso. Alguns acreditam que as fêmeas jovens que engravidam pela primeira vez são "amadoras" e tendem a deixar cair alguns ovos. Outros acreditam que quando a fêmea está doente ou infeliz, ela pode abandonar alguns ovos. Além disso, acredita-se que quanto mais velha a fêmea torna-se mais ovos que ela pode transportar. Todas essas teorias podem ser verdade. Sabe-se ainda que, quando as condições forem adequadas e a fêmea é feliz, então ela pode produzir ovos constantemente, como um relógio, incubar e ficar grávida novamente de poucos dias mais tarde.
Desenvolvimento dos ovos: O desenvolvimento dos ovos depende da espécie do camarão. Algumas espécies chocam seus ovos mais rápido do que outras. Além disso, algumas espécies podem segurar os ovos por mais tempo do que as outras espécies. A coloração do ovo também é diferente entre as espécies. É recomendável que você visualizar cada página de informação da espécie para ter informações específicas sobre o camarão que você está criando, lá você vai ter informações sobre os ovos, tamanho da ninhada, coloração, etc. Há algumas espécies que você pode determinar se está próximo da eclosão. Na maioria das vezes, quando uma fêmea está segurando os ovos e a sela reaparece é um bom indicador de que os ovos estão prestes a eclodir. No entanto, com algumas espécies que você não pode ver a sela, mesmo se ele estiver presente e, em alguns casos, a sela não aparece nem mesmo se os ovos estão próximos à eclosão. Outra maneira simples para identificar se uma espécie está perto de eclosão é a aparência dos olhos do bebê camarão ainda dentro do ovo. Ovos com os olhos são um bom indicador de que está a poucos dias da eclosão. Porém, você pode não ser capaz de ver com olhos de algumas espécies de camarão. Abaixo estão fotos de ovos de um camarão Yellow e os ovos de um camarão Snowball com os olhos aparecendo.
Ovos de camarão Yellow com os olhos dos bebês
Ovos de um camarão Snowball com os olhos dos bebês
Eclosão
O camarão recém-nascido: É muito raro observar a eclosão de um camarão, pois a eclosão do camarão é extremamente rápida. O camarão bebê parece saltar para fora do ovo em menos de um segundo e se agarra a primeira coisa que ele encontrar, geralmente uma planta ou musgo. As pessoas que observaram a eclosão dizem que o camarão bebê parece voar para fora da barriga da fêmea. Alguns até disseram que a fêmea parece ajudar os bebês, dando um "chute" ou lhes dar uma cutucada. As fêmeas tendem a se esconder durante a eclosão, que pode ocorrer até mesmo durante a noite. Abaixo está uma foto de um camarão Red Cherry recém-nascido.
Camarão Red Cherry Bebê por Peter Maguire
Fotos da eclosão: Felizmente, mais uma de vez Peter Maquire foi capaz de demonstrar a sua magia e captar esse momento raro. As fotos foram postadas no artigo Red Cherry Shrimp hatching. Abaixo estão algumas das fotos, mas, por favor, leia o artigo para mais informações.
Destaque: Eclodindo
Destaque: Eclodindo
Incubação artificial: Acredite ou não, você pode realmente chocar os ovos de camarão sem uma fêmea. Se algum dia, infelizmente, você encontrar uma fêmea morta ainda segurando os ovos, você pode chocar-los com alguns simples passos e cuidados especiais. Todas as informações que você precisa saber pode ser encontrado no artigo de incubação artificial de ovos . É altamente recomendável que todos os criadores de camarões, leiam o artigo acima. Você pode nunca saber quando vai encontrar uma fêmea grávida morta. É muito simples de fazer e não precisa trabalhar na NASA para ter sucesso.

Mais uma vez muito obrigado a Peter Maquire por suas fotos impressionantes! Confira a página dedicada à suas fotos no Planet Inverts. 
Tradução e adaptação: Minoru Nagayama
Fonte: planeta invertebrados

domingo, 5 de janeiro de 2014

Esponja de Água Doce

Você sabia que existem Esponjas de água doce? Pouco conhecido pelos aquaristas, existem cerca de 120 espécies dulcícolas.








São animais aquáticos, organismos com estrutura simples. Umas das razões de serem pouco conhecidas no aquarismo, é porque são extremamente difíceis de serem mantidas vivas no aquário. Dificilmente conseguiremos criar um ambiente artificial com condições bióticas para mantê-la viva, e caso seja possível, é complexo e extremamente trabalhoso. A alimentação desse metazoário, depende de vários fatores. Como é um filtrador, depende de uma movimentação de água que faz com que passe pelos poros que cobrem seu corpo, captando assim os elementos necessários para a sua sobrevivência. As esponjas pouco evoluiram em milhões de anos, isso poderia significar fácil adaptação ao ambiente, mas nota-se que qualquer poluente na água prejudica o seu desenvolvimento. Desenvolvem-se agarradas em pedras, troncos e plantas, sob forma de uma massa irregular. Sua cor depende das zooclorelas, que são as algas microscópicas das quais elas se associam em simbiose.











Sua reprodução se dá de duas formas, por divisão, forma assexuada onde as células divididas se regeneram, e na forma sexuada, por formação de gêmulas.
Por serem dificeis de criar, não tem valor comercial. Os lojistas não encontram fornecedores. Aqui nos nossos tanques de plantas aquáticas e peixes, vez ou outra aparecem alguns exemplares (fotos acima).
Condicões climáticas (inverno, secas) e padrões na água são fatores que influenciam no seu ciclo e desenvolvimento.



Num caso não muito comum, em um aquário grande que reativamos, surgiu uma colônia de esponjas de água doce incrustada numa folha de Microsorum pteropus (foto acima), sobreviveu por mêses, até que em uma das TPAs (troca de água parcial) ela se descolou e assim acabou sendo eliminada. Passado outros mêses, eis que surge uns pequenos pontos num tronco desse mesmo aquário, só que agora num local mais estável (foto abaixo), vou tentar mantê-lo, e ver como se desenvolve.


Artigo escrito por Gilson Suzuki




Esponja de água doce, também de um dos aquários do Rony. Foto de Cinthia Emerich.




Pequena colônia de esponja dulcícola, fotografado no Rio Chapecozinho, em São Domingos (SC). Fotos dedidas por Luís Adriano Funez.


Agradecimentos especiais a Rony Sukuki, que permitiu a publicação deste artigo no nosso portal. Este e outras ótimas matérias podem ser vistas no seu site,  Aquasuzuki . A autoria deste artigo é do irmão de Rony, Gilson Suzuki, o qual  também agradecemos.
Outra colaboração indispensável foi do biólogo catarinense Luís Adriano Funez, que cedeu duas belas fotos de esponjas coletadas nas serras catarinenses. Outras fotos de sua autoria também são encontradas em outras páginas do nosso portal. Luís mantém um site de divulgação científica,  Biodiversidade Catarinense 
Fonte planeta invertebrados

Caramujo Assassino


Caramujo Assassino

            São caramujos neogastrópodes de água doce, carnívoros, da mesma família dos Búzios de água salgada, Buccinidae. É uma das cerca de quatorze espécies conhecidas do gênero Clea, originalmente descrita da Ilha de Java, é encontrada desde a Malásia e Indonésia, Tailândia e Laos. Outras espécies de Clea preferem água corrente, mas a Clea helena é encontrada também em lagos, daí sua maior adaptabilidade a aquários. Têm hábitos noturnos e durante o dia se enterram na areia. Há uma discussão sobre sua taxonomia, depois que o gênero Clea foi subdividido em três sub-gêneros, Clea (Clea) e Clea (Anentome), de espécies asiáticas, e Clea (Afrocanidia) de espécies africanas.
            Os caramujos Helena são seres muito interessantes para se ter em aquários, primeiramente por sua beleza. Segundo, pelo seu hábito alimentar predador que ajuda a controlar a superpopulação de caramujos herbívoros que invadem os aquários plantados. E para completar, tem a vantagem de serem longevos, vivem tranquilamente 5 anos.



Nome: Caramujo Assassino, Caramujo Helena
Nome em Inglês: Assassin Snail, Snail Eating Snail, Killer Snail, Bumble Bee Snail
Nome Científico: Clea helena (Meder in Philippi, 1847). A espécie também é listada como Clea (Anentome) helena e Anentome helena.

Tamanho: Até 3 cm
Tempo de vida: Até 5 anos
Sexos: Separados
Dimorfismo: Não há
Cultivo: Fácil
Reprodução: Difícil
Origem: Sudeste asiático

pH: 7,0 a 8,0
Temperatura: 20 a 28 graus
GH: 3 a 15







Clea helena, note o longo sifão na última foto. Na última imagem, também é visível que o sifão é uma membrana muscular que é enrolada formando um tubo, ao invés de um tubo fechado. Note também um pequeno ovo junto á extremidade do pé, na última imagem.




Características:

            A concha da Clea helena atinge uma altura de 3 cm, tem uma forma alongada e cônica, com estrias axiais elevadas, e de seis a oito voltas. A abertura é ampla, com cerca de 2/3 da altura da concha, com um canal sifonal basal. Assim como outros buccinídeos marinhos, possui uma concha espessa, mais grossa do que outros caramujos de água doce. Sua cor varia de amarelo-dourado ou amarelo-palha a marrom, com uma coloração uniforme, ou com uma a três faixas espirais de cor marrom a negra. Corpo cinza-esverdeado claro com pequenas manchas de cor marrom, possui um opérculo de cor castanha. Longo sifão, usado para respirar enquanto fica enterrado, e também como órgão explorador tátil.  Duas delgadas antenas filamentosas, e olhos na extremidade de pedúnculos de comprimento médio. 







Close na concha de Clea helena, o opérculo é bem visível nestas imagens, fechando a abertura da concha quando o animal se retrai.

Alimentação e utilidade como exterminador biológico:

            Os Helena são carnívoros predadores, principalmente de outros caramujos, podendo também consumir carnes, insetos e pescados colocados no aquário à noite ou rações para peixes carnívoros. A alimentação principal desta espécie na natureza é composta de animais mortos, vermes e caramujos. Inclusive servem para eliminar restos de peixes e outros animais que morrem nos aquários. São bons auxiliares para o extermínio do excesso de caramujos nos aquários. Comem Ramshorn, Melanoides, Phisas e Ampulárias. Contudo, preferem os caramujos com tamanho abaixo de 1 cm para facilitar sua captura. Podem atacar camarões e outros invertebrados também, convém não colocá-los em aquários com invertebrados raros e de alto valor para não correr o risco de prejudicar-lhes o desenvolvimento populacional. Alimentam-se também de ovos de peixes. A predação é feita com o Helena se agarrando à concha da presa e inserindo a boca em forma de apêndice dentro da concha e sugando seus tecidos. Contudo, não espere que os Helena acabem com uma grande população de caramujos, eles comem aos poucos e podem passar dias sem comer. O canibalismo não é uma característica desses animais.



 

Grupo de Clea helena junto a camarões ornamentais, se alimentando. 





Clea helena predando camarões ornamentais.

Hábitos:

            São ativos à noite e preferem esse horário para caçar e para se acasalar. Podem dar passeios durante o dia, se estivem com muita fome não hesitarão em fazer sua refeição à luz do dia mesmo. São rápidos na sua locomoção e percorrem longas distâncias no aquário, desta forma conseguem capturar suas presas com maior facilidade, já que essas costumam ser mais lentas e se cansarem com facilidade. Em geral, durante o dia costumam ficar enterrados na areia com parte da concha para fora. Na natureza são encontrados em habitats pantanosos, de fundo argiloso ou arenoso fino. Por isso é necessário um substrato com areia ou material de fácil penetração (areia de filtro de piscina, pedrisco fino, substrato leve, etc) para dar-lhe maior conforto e facilitar sua reprodução. Parecem preferir substratos mais escuros como a turmalina ou areias escuras. Quanto maior a granulometria do cascalho, maior será a dificuldade para eles se enterrarem e se reproduzirem. Devem ser mantidos em águas duras e alcalinas, para prevenir a erosão da sua concha. Pelo mesmo motivo, não é recomendável a manutenção em aquários plantados com injeção de CO2. Mesmo se mantidos em ótimas condições, o ápice da concha costuma mostrar algum grau de erosão, devido ao seu hábito escavador.







Outras fotos de Clea helena no aquário. Note o formato do pé muscular.





Clea helena
 no aquário. Veja que há sinais de erosão na região apical da concha, mesmo em animais mantidos em condições adequadas.

Reprodução:

            A reprodução do caramujo assassino não é complicada, porém rara e seus filhotes são muito sensíveis. Diferente dos caramujos herbívoros que facilmente se tornam pragas, os Helena fazem a postura de um único ovo branco amarelado envolvido por uma cápsula translúcida quadrada, medindo 1.0~1.5 mm, depositado sobre alguma superfície rígida. Seu número é variável, e vai de 1 a 12 por animal num mês, mas com baixa viabilidade, às vezes esse número pode superar 12 ovos e nenhum sequer eclodir. Esses ficam por volta de um mês em período de incubação. As larvas nascem brancas e se enterram no substrato por um período de seis semanas, emergem com cerca de 0,5 cm quando já possuem uma concha rija, colorida e com forma semelhante à do adulto. Na fase de larva a sobrevivência é baixa, chegando a 50%, e na forma jovem com menos de 1 cm ainda é de cerca de 50%. Após atingir 1,2 cm os animais ficam mais resistentes e dificilmente irão morrer. O controle da dureza da água nas primeiras fases de desenvolvimento é primordial para aumentar a sobrevivência, sendo a água mais dura a melhor. Pouco se sabe sobre os hábitos alimentares das larvas, mas acredita-se que se alimentem de organismos intersticiais do substrato (como vermes) e restos de ração. Assim, sugere-se não sifonar o substrato, e evitar a manutenção com outros animais que revolvam o fundo. Da mesma forma, algumas fontes sugerem que se evite a manutenção com Melanoides, já que poderia haver competição por alimento entre os filhotes das duas espécies sobre o substrato.




Ovos de Clea helena em um limpador magnético de vidro. Foto de Valeria Castagnino.



Ovo de Clea helena junto a um adulto. Note a cápsula translúcida envolvendo o ovo.


Clea helena
, animais de diferentes tamanhos.

Artigo escrito por Daniel Costa


Bibliografia:
  • Bogan AE, Hanneman EH. A Carnivorous Aquatic Gastropod in the Pet Trade in North America: the Next Threat to Freshwater Gastropods? Ellipsaria Vol. 15 - No. 2 June 2013 18-19.
  • Brandt RAM. Non-marine aquatic Mollusca of Thailand. Arch. Molluskenkunde, 1974; 105: 1-423.

Agradecimentos à colega aquarista argentina Valeria Castagnino por permitir o uso da sua foto no artigo.
 Fonte: planeta invertebrados